A perícia criminal realizada na lista apresentada pelo empresário Marcelo Caldarelli apontou fortes indícios de que os números anotados ao lado dos nomes de nove vereadores - e que poderiam se referir a valores de propina pagos a cada um - foram redigidos pelo vereador afastado Renato Araújo (PP). O inquérito que apura o caso está perto de ser concluído.
Em entrevista na última sexta-feira, após depor ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Araújo admitiu que escreveu a relação com nomes - o que foi comprovado pela perícia - mas negou ter redigido os supostos valores. ''Os peritos observaram haver indícios fortes de que os números foram anotados de punho dele. Só não é possível ser tão conclusivo (quanto com relação às palavras) em razão da falta de padrão gráfico'', disse o delegado Alan Flore, referindo-se à recusa do investigado em fornecer material com sua letra.
O delegado frisou, contudo, que só os indícios são suficientes, uma vez que no meio jurídico é notório que sempre existe ''dificuldade técnica com relação a numerais''. Flore destacou ainda que ''a lista é mais um elemento, não o único'' dentro do inquérito que investiga suspeita de pagamento de propina a vereadores para aprovação do projeto de lei que doou um terreno a Caldarelli em 2005. ''Novas diligências estão sendo realizadas para a conclusão do inquérito, ainda nesta semana, e pessoas mencionadas nos autos ainda serão ouvidas'', afirmou, descartando que as testemunhas pendentes sejam vereadores.
Ontem pela manhã, o Gaeco tomou os depoimentos do vereador afastado Osvaldo Bergamin (PMDB) e do renunciante Orlando Bonilha (PR), mas ambos se reservaram ao direito de só se pronunciar em juízo. O primeiro, que é co-autor do projeto investigado, chegou ao prédio do Ministério Público (MP) trazido pelo ex-assessor Sérgio Sampaio - exonerado horas depois - e não falou nenhuma palavra à imprensa.
Já Bonilha declarou que desconhece a lista e que ela ''é uma coisa muito simplista para dizer que prova se houve ou não pagamento, tem que parar de achar que tudo na Câmara é feito com dinheiro''. O ex-vereador disse ter questionado o Gaeco sobre o porquê de haver nove nomes na lista e somente três políticos indiciados - ele, Araújo e Bergamin, além de um assessor deste último. ''Afinal, estou em situação idêntica aos demais oito'', frisou. ''Votei com consciência, com os pareceres da Câmara e por conhecer o empresário'', acrescentou.
A expectativa dos promotores do Gaeco é de apresentar ações judicias contra os envolvidos logo após a conclusão do inquérito policial.

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