Perícia confirma fraude na Unioeste
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quinta-feira, 06 de dezembro de 2001
Gilmar Agassi<br>De Cascavel 
O laudo da perícia técnica do Instituto de Criminalística sobre as provas do concurso público da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), no campus de Francisco Beltrão, confirma que houve fraude, como havia denunciado o ex-diretor de concursos da instituição Carlos Piacenti. Segundo o laudo, houve adulteração nas folhas de respostas depois que elas passaram pela leitora ótica. A Criminalística, porém, não aponta qualquer indicação de quem teria adulterado os documentos. A denúncia foi responsável pelo afastamento da então reitora Liana Fuga no início de junho.
O material foi entregue ontem ao Ministério Público (MP), que solicitou a análise das folhas de respostas. Foram periciadas as folhas originais e as cópias apresentadas na ocasião da denúncia ao MP. O documento também deve ser anexado ao processo administrativo instaurado pela Procuradoria-Geral do Estado.
O chefe do IC, Celestino Boger, disse que não há qualquer indicação de quem teria praticado as falsificações. A perícia constatou a existência de assinaturas falsas e a tentativa de falsificar assinaturas verdadeiras. ''Analisamos os documentos originais com as cópias apresentadas. Algumas respostas foram preenchidas depois que as cópias foram retiradas, mas não há confirmação de que estas cópias são fiéis.'', explicou.
Segundo Celestino, a presença de evidências sobre a adulteração dos documentos ''induzem ao raciocínio sobre simulação de falso, ou seja, aquela modalidade em que se adulteram os documentos originais através das mais variadas e destacadas formas para se impor a eles conotação de falsos''.
As provas que estão sendo investigadas são dos candidatos Lisderferson Andrade, Kleber Borges, Itamar Borges e Gilberto Periolo, pessoas próximas à reitora afastada. Eles teriam acertado 29 das 30 questões, de acordo com denúncias apresentadas por Piacenti.
O promotor de Justiça, Carlos Choinski, afirmou que o resultado da perícia técnica será aditado ao processo aberto contra Liana e que apura sua participação na fraude. Ele completa que uma série de testemunhas já depuseram e que a perícia não tinha por obrigação assinalar o nome dos envolvidos na fraude.
Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, a reitora não poderá retornar ao cargo enquanto estiver respondendo processo por peculato. Liana é acusada de apropriação indébita de R$ 11 mil da Unioeste. Os advogados dela devem ingressar na Justiça com um recurso para recolocá-la no cargo. Ela nega envolvimento nas fraudes.


