Rodrigo Sais
Equipe da Folha
Curitiba - Uma perícia realizada pelo Instituto de Criminalística confirmou ser do empresário Mauro Mikito a assinatura em um recibo no valor de R$ 142 mil emitido em dezembro de 2000 pelo comitê da campanha à reeleição do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL). O comitê declarou à Justiça Eleitoral ter pago apenas R$ 4,3 mil referentes a serviços gráficos.
Em seu depoimento ao Ministério Público (MP) em 29 de novembro, Mikito negou ser sua a assinatura do recibo, e recusou-se a dar amostras de sua caligrafia para a realização da perícia grafotécnica. Os promotores do MP tiveram que solicitar o registro da firma do empresário no cartório para efetuar a comparação.
Os promotores que apuram o caso ainda não decidiram se Mikito será chamado novamente para prestar depoimento. O empresário pode ser processado por obstrução à Justiça caso não retifique a versão de seu depoimento até o fim das investigações.
O MP ouviu ontem também o depoimento de Marilene Marques Momente, que assinou um recibo no valor de R$ 50 mil referente à confecção de bonés para a campanha. Marilene afirmou ter assinado o recibo a pedido de seu genro, o ex-prefeito de Marilândia do Sul Ivan Carlos Beligni, que é proprietário da firma Ivan Bonés. Segundo ela, o comitê do PFL não efetuou o pagamento deste valor até hoje. Na semana passada, o empresário André Lanza também disse aos promotores do MP que não teria recebido R$ 23,7 mil do comitê, referente à organização de shows pirotécnicos.
As investigações dos promotores estão sendo contestadas na Justiça pelo advogado de Cassio, José Cid Campêlo. Ele entrou com um pedido de habeas corpus no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) solicitando o cancelamento das diligências realizadas pelos promotores da divisão de Proteção ao Patrimônio Público. Eles estão investigando crimes eleitorais, o que é fora da alçada deles, e proibido por lei, argumenta. O MP enviou informações sobre o assunto ontem para o presidente do TRE, Roberto Pacheco da Rocha, pedindo que o habeas corpus seja negado. Segundo os promotores, as investigações conduzidas pelo órgão têm como objetivo descobrir se o dinheiro utilizado na campanha veio dos cofres públicos.
A Justiça Eleitoral também irá decidir se acata o pedido de prorrogação de prazo para o inquérito realizado pela Polícia Federal para apurar se houve crime eleitoral na campanha de Cassio. O juiz da 1ªZona Eleitoral, Luiz Fernando Tomasi Keppen, deve decidir esta semana se concede mais prazo para as diligências.

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