Perícia aponta falhas em radares de Curitiba
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quinta-feira, 09 de julho de 2009
Rosiane Correia de Freitas<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Na madrugada do dia 7 de maio o Volkswagen Passat dirigido pelo ex-deputado estadual Fernando Ribas Carli Filho pode ter passado sem ser registrado pelos radares da via por defeito nos equipamentos. A conclusão é da perícia particular contratada pela família de Gilmar Rafael Yared, morto no acidente em que se envolveu o ex-parlamentar. A conclusão do relatório dos técnicos também aponta que sequer houve acionamento de freios do veículo Passat momentos antes do choque.
Com base em dados fornecidos pela Urbanização de Curitiba (Urbs), que gerencia o sistema de equipamentos de fiscalização eletrônica de velocidade na capital, os peritos apontaram que o grau de eficiência dos radares é baixo. É da ordem de 53%, o que significa que quase metade dos veículos passa sem ser registrada, diz o engenheiro Walter Kauffman, um dos responsáveis pelo relatório.
Uma análise mais completa dos equipamentos utilizados em Curitiba só será possível, diz Kauffmann, se os peritos tiverem acesso aos radares. Podemos realizar testes em uma pista de provas, por exemplo. Esse trabalho pode ajudar a explicar porque, nos registros apresentados pela Urbs, não há dados sobre a passagem de carros a mais de 80 km/h. As informações que temos até agora sugerem que há sim uma velocidade limite de operação do radar.
A Urbs não quis comentar as informações do parecer dos peritos. Segundo a assessoria de imprensa do órgão, a empresa não teve acesso ao documento. A Urbs informa que apresentou todos os dados solicitados e que informou, em ofício encaminhado ao advogado da família Yared, Elias Mattar Assad, as maiores velocidades já registradas nos radares da região (veja quadro).
O resultado do trabalho dos engenheiros Walter Kauffmann Neto e Renato Silveira está registrado em um documento distribuído à imprensa ontem pelo advogado da família Yared e deve ser utilizado como peça na composição da acusação contra Carli Filho. É uma importante prova técnica para um eventual julgamento, aponta Kauffmann.
A conclusão dos peritos é que o acidente aconteceu devido à condução de alto risco realizada pelo motorista do veículo Passat. A análise mostra que a velocidade do veículo do ex-deputado no momento da colisão está na faixa entre 174km/h e 191 km/h. Ele estava forçando o veículo até o limite, aponta Kauffmann. O perito também aponta que o Volkswagen Passat que Carli Filho conduzia tinha instalado uma película plástica de forma irregular no parabrisa dianteiro, o que também pode ter contribuído para o acidente.


