Curitiba - Apesar da agenda estritamente econômica, a vinda do presidente da Venezuela Hugo Chávez ao Paraná, hoje e amanhã, não deixa de ter também conotação política para o governador Roberto Requião (PMDB). Afinal, trata-se do presidente mais polêmico da atualidade na América Latina.
  De perfil de esquerda, nacionalista e decidido a implementar suas idéias, Chávez já foi até comparado ao próprio Requião, em matéria da revista Exame, publicada em novembro do ano passado. Na matéria, que questionava ações do governador em relação a missões empresariais, rompimentos de contratos, pedágio e o Porto de Paranaguá, a revista comparou as atitudes de Requião com as do presidente venezuelano. Na época, Requião não gostou nem um pouco da analogia.
  ‘‘Eles têm personalidades parecidas’’, admite o líder do PMDB na Assembléia Legislativa, Antonio Anibelli. Para ele, tratam-se de dois líderes interessados em satisfazer as demandas da população menos favorecida. ‘‘A população humilde que é beneficiada pelas políticas públicas de Requião adora o governador’’, diz, supondo que o mesmo deve ocorrer com Chávez na Venezuela.
  O deputado estadual Durval Amaral (PFL) concorda que há uma identidade ideológica muito grande entre Requião e Chávez, mas, para ele, as semelhanças são outras. ‘‘Eles têm muitos pontos em comum: a posição autoritária, o populismo, a instrumentalização das massas, usando os movimentos sociais para servir os interesses do governo’’, dispara. Amaral acredita, ainda, que essa identidade pode resultar em desgaste político para o governador.
  Amaral questiona as condições da visita de Chávez. ‘‘Toda visita de um presidente sul-americano é bem-vinda ao Estado. O que nos deixa surpresos é que parece que os protocolos, convênios serão assinados a toque de caixa’’, diz, criticando a política econômica do governo Requião. Como exemplos, citou o fato do Paraná ter o menor desempenho industrial do Brasil, segundo o IBGE, e o pequeno crescimento do Porto de Paranaguá em relação a outros portos do País.
  Anibelli ressalta que a vinda de Chávez é uma retribuição à visita feita pelo governador e delegação paranaense à Venezuela no ano passado, e que resultou em U$ 30 milhões em investimentos para o Paraná. ‘‘Eles (a oposição) abriram o Paraná para as multinacionais em detrimento da economia do Estado. Nós estamos privilegiando os produtores, a indústria do Paraná em um reencontro sócio-cultural que pode ser espetacular’’, rebateu.

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