Para a cientista política Luzia Herrmann de Oliveira, professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), o perfil ideológico do eleitor londrinense não foge à regra nacional.
''Os dados mostram que é um padrão de comportamento partidário que não se distingue daquele do eleitor brasileiro médio, ou seja, aqui e em outras regiões, o nível de interesse e de participação político-partidária é muito baixo'', avalia.
Segundo a cientista política, a tendência revelada nas respostas vem há pelo menos uma década - para isso, cita uma pesquisa que coordenou nessa época, em Londrina, conforme a qual 86% dos entrevistados não tinham preferência partidária. Simultaneamente, salientou, o mesmo levantamento apontou que PT, PSDB e PMDB já despontavam como as siglas mais lembradas.
Sobre a contradição nos números da pesquisa - a maioria diz preferir o PT, e, ao mesmo tempo, se coloca como de direita -, Luzia acredita que isso não representa problemas em termos ideológicos, uma vez que as definições de esquerda, direita e centro, avalia, ''sempre foram muito imprecisas''.
''Problema mesmo, a meu ver, é o desinteresse dos cidadãos pela política e pelos debates partidários. Sem dúvida que a democratização no Brasil depende dessa participação, e acredito que algumas reformas institucionais seriam importantes para fortalecer os partidos'', aposta.
Já o cientista político Cézar Bueno, docente na PUC-PR e na Universidade Filadélfia (Unifil), defende que é a ''falta de legitimidade e de uma definição ideológica clara'' dos partidos políticos a causa do desinteresse do cidadão.
''Na prática, o pesquisado vê pouca diferença nas colocações político-partidárias; não há uma plataforma de ação definida. O que diferencia PT e PMDB hoje, por exemplo?'', questionou, para completar: ''Isso é ruim, pois o eleitor passa a valorizar as pessoas, não as propostas de governo - e quando não há esse debate, a democracia não prospera'', considera.

mockup