Perfil do eleitor está mudando no Paraná
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de maio de 2002
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba As últimas eleições para a escolha de prefeitos e vereadores devem refletir em uma mudança drástica e talvez definitiva no perfil do eleitorado paranaense. Tidos tradicionalmente como conservadores, em 2000 os eleitores surpreenderam com o grande número de votos depositados em candidatos do Partido dos Trabalhadores (PT), que acabou ganhando nas principais cidades do Estado. Até mesmo em Curitiba, reduto histórico do governador Jaime Lerner (PFL), o candidato da situação Cassio Taniguchi (PFL) teve um segundo turno apertado contra o petista Ângelo Vanhoni.
O eleitor vota em cada eleição com um determinado padrão. Ele faz uma análise baseado em sua tendência ideológica de esquerda ou direta, mas a grande maioria se define durante o processo, diz o sociólogo e cientista político Ricardo Oliveira, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Desta vez, ele acredita que uma série de fatores, como a urbanização, imigração, aumento de escolaridade, além de uma certa frustração estão fazendo com que a população deixe de optar por candidatos conservadores.
O momento atual, para ele, é diferente das duas últimas eleições presidenciais, em 1994 e 1998, quando Fernando Henrique Cardoso (PSDB) tinha uma certa hegemonia e, no caso da reeleição, a economia tendia à estabilidade. Hoje as pessoas pensam no desemprego, no salário que caiu, no crescimento da criminalidade, trazendo muita insatisfação, diz.
O sociólogo lembra, inclusive, de um fato emblemático do conservadorismo de grande parte do eleitorado do Estado. Nas eleições presidenciais, em 1989, o então candidato Afif Domingos (PL) ficou em primeiro lugar no primeiro turno em cidades como Curitiba e Ponta Grossa. Já na região Sudoeste onde há grande comunidade de gaúchos e a população tende mais para a esquerda os votos foram para Leonel Brizola (PDT). No segundo turno, enquanto o Sudoeste transferia seus votos para Lula, o resto do Estado ajudou na vitória de Fernando Collor, incluindo a região Norte que, em função de seu envolvimento mais próximo aos movimentos contrários à ditadura, sempre teve uma postura mais avançada do que os eleitores da Capital.
O eleitor do Paraná cresceu. Ele não segue mais nem o tradicionalismo do curitibano nem o oposicionismo do Norte, conclui.


