Brasília - O presidente da Infraero, José Carlos Pereira, admitiu ontem falha no planejamento de obras nos aeroportos ao terem privilegiado as reformas nos terminais de passageiros antes das pistas. Segundo ele, a decisão foi tomada pela diretoria de engenharia da Infraero e respaldada pelo voto dos demais diretores da estatal.
  Isso ocorreu, contou ele, antes de março de 2006 quando assumiu interinamente a presidência da Infraero em substituição ao deputado Carlos Wilson (PT-PE). Pereira, que depôs na CPI da Crise Aérea na Câmara dos Deputados sobre o acidente com o Airbus da TAM, evitou citar nomes como o da diretora de engenharia, Eleusa Terezinha.
  Ele admitiu, porém, que poderia ter feito substituições após constatar o erro no planejamento e não o fez por estar na condição de interino. ‘‘Eu não seria louco de fazer isso num período de interinidade. Por isso, assumo inteira responsabilidade e não nego nenhuma possibilidade de ter cometido um equívoco’’, disse.
  Pereira informou aos deputados que abriu uma auditoria interna para investigar o planejamento das obras e que ela já foi concluída, mas ainda precisa ouvir pela última vez todas as pessoas envolvidas antes de ser tornada pública. Sobre as notícias de que seria demitido do cargo, o brigadeiro voltou a afirmar que está tranqüilo e que não se preocupa em manter o cargo. ‘‘Num cargo público, ninguém está seguro. Esse não é um lugar de segurança mas de trabalho’’, disse Pereira acrescentando que por ser um militar é mais fácil para ele aceitar hierarquias e respeitar a noção de subordinação.
  O brigadeiro prometeu encaminhar até hoje ao ministro Nelson Jobim (Defesa) soluções para os problemas detectados na pista principal do aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (Grande São Paulo). Pereira disse que Jobim estabeleceu prazo até hoje, às 17h, para que a Infraero envie as sugestões ao governo.

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