Folha - Chegando a quase um mês de greve, qual a avaliação que o senhor faz do movimento?
Nedson - Estou muito preocupado. Alguns setores como o da saúde e educação, principalmente, e os processos licitatórios não estão funcionando. Pelo menos 30% a 40% da área da saúde fica com esse atendimento fechado ou precário. Isso preocupa mesmo com a greve tendo perdido peso no decorrer desses 30 dias.
Folha - O senhor disse há pouco que a greve está partindo para um outro lado. Que lado seria esse?
Nedson - No começo da greve havia uma reivindicação por um índice salarial, mesmo demonstrado e comprovado que não tínhamos condições de dar esse índice neste momento. Pedimos para aguardarem a situação, da prefeitura ter condições de viabilizar qualquer tipo de aumento salarial e eles resolveram não aguardar. A greve, depois de 30 dias, está naquela situação de se buscar uma saída, fica em um momento tenso para quem está na greve. Eles perderam a grande chance, que me parece que por opção da diretoria do sindicato, de encerrarem a greve em um bom momento, que foi o acordo firmado entre o presidente do sindicato e eu, intermediado pela Câmara de Vereadores na quinta-feira antes da Páscoa. O sindicato não honrou aquele acordo, um acordo que era bom naquele momento, que as portas estavam abertas para negociação.
Folha - O senhor acha que deveria ter assumido a negociação pessoalmente?
Nedson - A partir do começo da greve, temos que deixar pontes para solucionar os impasses. O prefeito é preservado para no impasse vir e dar a solução, como aconteceu na quinta-feira. Naquele momento, só o prefeito assinando o acordo solucionaria o impasse e fizemos e honramos o acordo que assinamos. O evitar que o próprio prefeito sente à mesa de negociação neste momento é para preservar que tenhamos pontes, canais para resolver impasses que serão muito mais pesados e delicados que teremos com o fim da greve como a questão dos dias parados, como serão descontados, se serão ou não descontados; a questão de quem está em estágio probatório; do reflexo na vida funcional.
Folha - Como a administração adotou o posicionamento de não oferecer nenhum índice desde o começo das negociações, o senhor acha que hoje, politicamente, seria possível um reajuste?
Nedson - O caixa da prefeitura não permite. Não é questão do prefeito querer ou não, do prefeito fazer queda de braço, do prefeito gostar ou não de quem está no sindicato. Tenho que trabalhar com o que tenho no caixa e as condições de caixa não permitem que eu dê reajuste. Essa última proposta do sindicato, por exemplo, de um abono de R$ 140, significa uma despesa a mais na folha de pagamentos de R$ 1 milhão por mês. Seriam R$ 11 milhões só esse ano. Não temos esse dinheiro. É uma questão muito objetiva. Não há condição.
Folha - Os prejuízos da greve representam também um prejuízo político para o senhor. Como reverter isso?
Nedson - Trabalhando muito e sempre com rigor administrativo, cuidados com as contas municipais e preocupado em fazer o melhor investimento na cidade. Tenho certeza que a comunidade vai compreender que se eu tivesse neste momento feito qualquer gesto demagógico e concedido reajuste, quem iria pagar um preço muito mais caro do que 30 dias de greve, seria a própria população.
Folha - O que a administração pode fazer para acabar com essa greve?
Nedson - Estamos trabalhando dentro dos marcos democráticos, convocando os servidores e convencendo, mostrando a nossa posição que é fundamentada nos dados, e estamos a cada momento conseguindo que mais pessoas deixem a greve e voltem a trabalhar. Espero que acabemos o mais rapidamente possível com a greve com esse método.

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