‘‘Perder, nunca mais. Só saio candidato com segurança absoluta’’. A declaração foi dada à Folha pelo ex-governador Álvaro Dias (PSDB) anteontem à noite, quando ele saía do casamento da filha de um amigo em Londrina. Álvaro, que também manifestou preocupação com relação aos recursos para a campanha, prometeu uma definição até amanhã à tarde sobre seu futuro político - véspera da convenção tucana. ‘‘Estou esperando a convenção do PTB e na segunda (amanhã) me reunirei com o partido para decidir’’, declarou.
Álvaro admitiu que a carta assinada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e interpretada pelo ex-governador como uma manifestação de desejo de o presidente tê-lo em Brasília poderá influenciar sua decisão. ‘‘Claro que o desejo dele tem um peso significativo, mas o presidente também demonstrou que respeita e aceita a decisão do partido no Paranᒒ, disse Álvaro.
O ex-governador conversou na quinta-feira com FHC. ‘‘A carta demonstrou que o presidente quis me deixar à vontade. Ele sabe que, como candidato ao governo, tenho densidade eleitoral e não quis fazer o mesmo apelo que tem feito em outros estados para que candidatos ao governo desistam’’.
Na carta, divulgada sexta-feira pela assessoria de Álvaro, FHC escreveu: ‘‘Somos companheiros de longa convivência na política nacional. Esta relação especial me permite dizer-lhe que, não obstante aceitar a decisão final sua e do PSDB-PR, gostaria de vir a contar com a sua colaboração, eficiente e leal, em Brasília, no novo ciclo político que as eleições de outubro vão proporcionar ao País. Este novo ciclo será, sem dúvida, decisivo para a consolidação do processo de transformação do Brasil em que estamos empenhados’’.
Sem desvendar o enigma da expressão ‘‘colaboração em Brasília’’, Álvaro disse que pretende fazer o que partido determinar. ‘‘Saio até de sandália se o partido entender’’, embora tivesse afirmado com convicção que está disposto a não perder, ressalvando, porém, que quer segurança absoluta.
O ex-governador deixou claro que a contradição tem relação direta com a questão financeira. ‘‘Tenho ouvido diversos apelos de setores da sociedade para que eu saia candidato ao governo do Estado, mas até agora, não recebi qualquer oferta de contribuição para a campanha’’, contou. ‘‘E campanha é cara. Onde é que eu vou arrumar dinheiro?, questionou.
Álvaro admitiu que tem sido pressionado ‘‘por todos os lados’’. ‘‘Pelos parlamentares, pelos partidos e até pelos amigos’’ e reconheceu a preocupação dos tucanos com a reeleição dos deputados federais, que passariam a não ter um puxador de votos, caso ele decida candidatar-se ao Senado e não ao governo do Paraná. O PSDB calcula que, nessa possibilidade, o partido elegeria, no máximo, quatro deputados federais no Estado.
O ex-governador não quis comentar o ‘‘apoio branco’’ que seria dado pelo governador Jaime Lerner à sua eventual candidatura ao Senado para que ele fique fora do páreo na campanha pelo Palácio Iguaçu. Em 1994, Álvaro perdeu as eleições para Lerner.
Álvaro participa na terça-feira da convenção tucana, em Curitiba, e deverá seguir no dia 1º para a França. Nassib Jabur, do grupo de apoio ao ex-governador confirmou que os dois deverão permanecer no país-sede da Copa do Mundo até o dia 13.

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