Perdemos um grande aliado, mas não desistiremos, diz Álvaro
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segunda-feira, 20 de abril de 1998
Leandro Donatti 
Arquivo FolhaEm frente!Álvaro Dias: Até em respeito ao apoio emprestado inúmeras vezes pelo ministro Sérgio Motta, devemos disputarPré-candidato do PSDB ao Palácio Iguaçu, o ex-governador Álvaro Dias disse ontem, por telefone, de São Paulo, onde acompanhou o enterro, que a morte do ministro Sérgio Motta não altera seu projeto político no Paraná, pelo menos por enquanto. Era um apoio muito importante. Perdemos um grande aliado, mas não é motivo para qualquer desistência antecipada, declarou o ex-governador, que tinha no ministro seu principal alicerce político para concorrer às eleições 98. Álvaro manteve a tese de que o melhor momento para confirmar a sua intenção de disputar novamente contra o governador Jaime Lerner (PFL) é em junho, período das convenções, e mediante pesquisa de opinião.
As coisas continuam no mesmo pé. Até em respeito ao apoio emprestado inúmeras vezes pelo ministro Sérgio Motta, devemos disputar, prometeu, falando como candidato. Para despistar abalo nos seus planos eleitorais - seja ao governo do Paraná ou ao Senado - Álvaro tratou ontem de promover o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) como interlocutor direto entre o Planalto e tucanos no Estado. O presidente acompanhou todas as atitudes do ministro e está a par de toda a situação política que vivemos no Paraná, assegurou o ex-governador.
Para ele, a morte de Sérgio Motta deve ter um sentido de preocupação mais abrangente. O ministro era uma presença forte, o principal defensor do partido nesta briga PFL-PSDB que se esboça, avaliou. Álvaro lembra que apesar de rude, às vezes grosso, como descreve o próprio ex-governador, Sérgio Motta foi importante pela sua sinceridade. Era o único articulador competente do presidente, assinalou. O ex-governador entende que o prejuízo maior da morte será no andamento das reformas no Congresso. O ministro sempre mostrou força nas votações, ponderou.
Álvaro Dias foi um dos políticos de peso do Paraná que compareceu ao velório do ministro ontem. Ele embarcou pela manhã para São Paulo, acompanhado do irmão, o senador Osmar Dias (PSDB). O governador Jaime Lerner (PFL) e o prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), saíram de Curitiba por volta das 13h30 e retornaram ontem mesmo ao Paraná. Antes de viajar, Lerner disse que apesar das divergências, o ministro foi um importante homem público que estava ajudando o presidente a construir um País que todos nós almejamos. Lamento profundamente a sua morte, afirmou.
A relação de Lerner com o ministro nunca foi das melhores. A neutralidade de Sérgio Motta, e confessa predileção por Álvaro Dias, inviabilizou a filiação do governador no PSDB. Depois da famosa frase dita na presença de deputados federais do Paraná em Brasília, de que passaria sobre Lerner como um trator nas eleições de outubro, o ministro conseguiu azedar ainda mais o relacionamento, durante solenidade que deu posse a Álvaro na Telepar, em abril de 97. Motta desmentiu em público o governador do Paraná e disse que nunca houve convite do presidente Fernando Henrique ou da cúpula tucana para Lerner entrar no PSDB.
No setor das telecomunicações, o ministro deixa boas lembranças no Paraná. O vice-presidente do grupo Inepar, Mário Celso Petráglia, classificou como de extrema importância o trabalho feito pelo ministro na privatização do setor. Foi um homem um pouco incompreendido na forma, mas muito preocupado com os conteúdos das reformas, observou. Para Petráglia, a morte de Sérgio Motta não interfere nas medidas administrativas já colocadas em andamento. A privatização é um processo irreversível e que exigiu muita sensibilidade do ministro, reforçou.
A Assembléia Legislativa decretou luto de três dias no Legislativo, a contar de ontem. Assinado pelo presidente da Casa, deputado Aníbal Khury (PFL), o decreto oficializando o luto enaltece o empenho do ministro em promover a modernização do Brasil, através de esforços para a racionalização dos serviços públicos e reforma do Estado, com benefícios para o povo do Paraná.


