Perdedores fazem sessão de lamento
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terça-feira, 03 de outubro de 2000
Pedro Livoratti De Londrina 
Na primeira sessão do Legislativo de Londrina após a divulgação do resultado de domingo, ontem à tarde alguns dos 12 vereadores que não conseguiram a reeleição usaram parte do expediente para se manifestar. Alvair de Souza (PSB) usou a tribuna da casa pela primeira vez e chegou a brincar que proferiria seu discurso do local nobre, antes que não pudesse mais fazê-lo. Ele fez críticas a um cunhado seu, que fez campanha em seu reduto. Alvair ficou fora, enquanto seu cunhado Leonilso Jaqueta (PMDB) inicia um mandato no próximo ano.
Jacy Aguiar (PPB), que cumpriu dois mandatos, usou o microfone para criticar setores da imprensa local, que segundo definiu, insultaram-no e dirigiram pesadas críticas. Moro há 50 anos em Londrina, como posso ser insultado, reclamou. Conhecido por declarações polêmicas, o vereador disse que pretende dedicar-se mais à família. No ano passado ele foi acusado de tentativa de extorção à cooperativas de leite na região. O caso, que tramita na Justiça, ficou conhecido como escândalo do leite.
Revoltado, o vereador e líder da bancada do PFL na Câmara, Adalberto Pereira da Silva, que também ficou de fora, pediu ontem a suspensão do desconto em folha de pagamento da taxa mensal revertida para o seu partido. O vereador, que está em seu segundo mandato, alega que a legenda somente o prejudicou nestas eleições. De segunda maior bancada no Legislativo, com três vereadores, no próximo ano o PFL terá somente um representante. Ele responsabiliza o candidato a prefeito Farage Kouri (PFL) e o prefeito cassado Antonio Belinati (PFL) pelo fraco desempenho obtido em 1º de outubro. Farage obteve apenas 11.395 votos, quantidade suficiente para eleger somente o vereador Henrique Barros (PFL), que está estreando na política.
O PFL não me deu absolutamente nada, só dissabor e problemas de saúde, afirmou Pereira da Silva. Ele classificou de ridícula a votação obtida pelo candidato a prefeito do partido e cobra uma reestruturação da executiva provisória. Para o vereador, a vinculação com o prefeito cassado teriam prejudicado o desempenho de Farage e consequentemente os candidatos às eleições proporcionais.
Desde o começo alertei que não poderia haver qualquer vinculação com o ex-prefeito, afirmou Adalberto. Em meados deste ano, ele e os dois outros vereadores pefelistas, Carlos Santa Rosa e Antonio Ursi, reivindicaram a intervenção na executiva provisória municipal, que manifestou-se favorável ao candidato a prefeito, que é o presidente da executiva local.
Ontem o vereador Carlos Santa Rosa, que também não se reelegeu, disse que não pensa em suspender a contribuição partidária, mas aguarda mudanças. Marginalizaram o nosso PFL, criticou. Ele defendeu a intervenção na executiva provisória e a entrega do comando para outros filiados. No dia da divulgação do resultado, o próprio Farage Kouri chegou a admitir que a vinculação de sua campanha à imagem de Belinati poderia ter prejudicado o crescimento da candidatura. No início da noite de ontem, a Folha não conseguiu contatar Farage.


