A organização não-governamental Fundação S.O.S. Mata Atlântica divulga como dado oficial, de levantamento feito com base em imagens de satélite e comparação com registros históricos, que a perda do bioma é da ordem de 93%. Os 7% restantes estão protegidos por lei. Estima-se que a Mata Atlântica chegava a ocupar o litoral cearense na época do Descobrimento.
É justamente para não chegar a este nível de devastação, que a ONG Conservação Internacional (CI) tem realizado estudos sobre a perda de cobertura vegetal no Cerrado. Imagens de satélite coletadas em 2002 indicam que o Cerrado perdeu 54% de seus 204 milhões de hectares. ''A conclusão é que o Cerrado tem perdido, na média, 1,1% de sua área original ao ano'', observa o biólogo Ricardo Machado, diretor da Conservação Internacional para o Bioma Cerrado.
Machado é taxativo ao afirmar que o bioma só existirá em áreas protegidas no ano de 2030, caso o desmatamento continue nos níveis atuais. ''O uso do Cerrado pelo agronegócio, principalmente depois que as pesquisas adaptaram a soja para o plantio no país, é praticamente irreversível. Mas temos também que estudar o potencial econômico de determinadas espécies para fazer o que chamamos de uso do Cerrado em pé'', defende o biólogo, como alternativa para um uso mais racional do bioma.
O Cerrado tem hoje apenas 5% de sua área protegida e a CI afirma que o ideal seriam 10 pontos percentuais. A ONG vai atualizar o estudo sobre o desmatamento no Cerrado com base em imagens de 2004. O levantamento será divulgado no ano que vem. ''Há estimativas da Embrapa indicando que não se sabe exatamente o que se tem em 46% da área do bioma, porque nas imagens de satélite confunde-se árvores com restos árboreos e outros elementos. Pode ser que reste só 30% e, numa estimativa mais catastrófica, só 10% de Cerrado'', lamenta Machado.
Remanescentes
O ministério do Meio Ambiente (MMA) terá até o ano que vem um estudo completo que dará a noção exata do que o Brasil perdeu de florestas desde o Descobrimento. O trabalho será feito por instituições de pesquisa que participaram de edital para levantar o mapa dos remanescentes, em cada bioma brasileiro.
Será o primeiro dado oficial sobre a cobertura vegetal do país, seus diferenciais, bem como a distribuição dos biomas. Segundo a gerente do Projeto de Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira (Probio), Daniela Suárez, o estudo servirá para implementar políticas na área ambiental, em consonância com o desenvolvimento sustentável, e será indicador de qualidade dos ambientes que o brasileiro está ocupando.
O Probio está apoiando o trabalho das instituições que venceram edital do MMA para realizar o levantamento. Os remanescentes da Amazônia serão inventariados pelo Inpe, da caatinga, pela ONG Associação de Plantas do Nordeste, dos Campos Sulinos, pela Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e do Pantanal, pela Embrapa Informática e Agropecuária. O estudo para a Mata Atlântica passará por novo edital por falta de instituição selecionada na primeira fase.

mockup