PERDA - Emoção no enterro de Regina Micheleti
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terça-feira, 27 de setembro de 2005
Cristiane Oyae Marta Ortega<br> Reportagem Local 
A esposa do prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), Regina Fonseca Micheleti, foi sepultada ontem à tarde no Cemitério São Pedro, no centro da cidade. Regina faleceu por volta da 1h30 de ontem, na Santa Casa, onde ficou internada por 16 dias.
Regina tinha 42 anos e há pelo menos dois sofria de câncer. Em junho de 2003, ela foi submetida a uma cirurgia para retirada de um tumor no estômago. A recuperação foi considerada boa, mas no último dia 11, ela sentiu fortes cólicas e foi internada. Dois dias depois, foi realizada uma cirurgia para desobstrução do intestino. O quadro se complicou e no dia 18, ela foi encaminhada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com bronco-pneumonia. No final da semana passada, a informação era de que o seu sistema renal estava fragilizado. Na noite de segunda-feira, o diagnóstico era de infecção generalizada, acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico agudo, insuficiência renal e respiratória.
Nascida em Londrina no dia 14 de fevereiro de 1963, Regina era funcionária da Coordenadoria de Recursos Humanos da Universidade Estadual de Londrina (UEL), desde 1986. Casada com Nedson há 20 anos, ela deixa os filhos Rafael, de 19 anos, e Juliana, de 14 anos.
O corpo da primeira-dama foi velado por cerca de oito horas no ginásio de esportes do Clube Alemão (Arel). Pelos cálculos de funcionários da Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf), foram encaminhadas mais de 250 coroas de flores à família. Ao final do velório, nove padres e um pastor adventista fizeram um culto ecumênico.
No velório, parentes, amigos, ministro, deputados, secretários e vereadores prestaram a última homenagem e se solidarizaram com o prefeito, que estava acompanhado dos dois filhos. Apesar da primeira dama nunca ter assumido um cargo público, os mais íntimos destacaram a grande participação e influência dela ao longo da carreira política do prefeito Nedson. A maioria ressaltou nela a grande dedicação à família.
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo que durante a primeira administração de Nedson foi secretário de Fazenda representou o governo federal. ''É com muita tristeza que chego a Londrina. De certa forma a gente já sabia que dificilmente o desfecho seria diferente. Eu tenho falado com o Nedson nesses dias todos e mesmo assim é um choque muito grande'', disse. ''Ele (presidente Luiz Inácio Lula da Silva) me pediu que desse um abraço no prefeito. Eu liguei para ele porque tenho uma reunião às 17h e falei que estava viajando e ele me pediu que dessse um abraço porque não poderia vir. Da mesma forma o Gilberto Carvalho (chefe de gabinete da Presidência).''
A diretora financeira da Itaipu, Gleisi Hoffmann, também lamentou a morte de Regina. ''Conheço a Regina há muito tempo, desde a primeira campanha do Nedson, depois trabalhei na prefeitura, tivemos uma boa convivência. Uma pessoa muito doce, muito querida, que a gente aprendeu a respeitar e a conviver. Agora é um momento de superar uma fase de dor, dificuldade, dar apoio ao prefeito Nedson, aos filhos.''
Wilson Sella, secretário municipal da Fazenda, foi padrinho de casamento e é padrinho de Rafael. A amizade vem desde 1977. Muito emocionado, falou pouco. ''Regina foi uma pessoa voltada inteiramente para a família, dedicada aos filhos. Foi o suporte para o Nedson. Não se opunha, mas não quis participar de nenhum cargo. Participou dando apoio para a família.''
O vice-prefeito Luis Fernando Pinto Dias, também padrinho de casamento do casal, conviveu por muitos anos com a família e acompanhou o drama de Regina. ''A morte da Regina significa uma grande perda. Foi uma pessoa muito presente na família, se dedicava aos filhos, tinha uma conduta sempre muito correta.''
O secretário de Gestão Pública e presidente do PT em Londrina, Jacks Dias, também conhece o casal há muitos anos e acompanhou todo o processo médico a que foi submetida a primeira dama. ''Ela sempre foi uma pessoa serena dentro do grupo, preocupada com os filhos e com a família, para que Nedson pudesse organizar seu trabalho. Mesmo sem cargo político, ela sempre esteve presente ao lado de Nedson. Perdemos uma grande amiga e teremos que ajudar o companheiro Nedson a terminar essa jornada.''
O presidente do PT no Paraná, deputado estadual André Vargas, também ressaltou as qualidades de Regina como mãe e suporte da família. Amigo da família há mais de 15 anos, Vargas guarda dela a lembrança de uma pessoa ''afável, que nunca abandonou a profissão e deu o apoio necessário ao Nedson e a toda a família''.
O enterro foi acompanhado por cerca de 500 pessoas. O corpo de Regina foi enterrado na sepultura número 172, mesmo jazigo de seu pai, Edelfrides Fonseca e do tio, Manoel Honório da Fonseca. Ao final do enterro, bastante emocionado, o prefeito agradeceu a solidariedade dos presentes. ''Obrigado pelo carinho, pela solidariedade de vocês.''


