Derrotado nas urnas e ressentido, o deputado Cunha Lima (PPB-SP) queria votar contra o governo, mas recebeu um recado claro do comando de seu partido, que mostrou reconhecer o trabalho do parlamentar na campanha eleitoral do candidato Paulo Maluf (PPB). ‘‘O partido vai trabalhar ostensivamente para que ele ocupe um cargo na administração pública federal’’, garantiu o vice-líder do PPB, deputado Herculano Anguinetti (MG). O presidente nacional do PPB, Paulo Maluf, pediu apoio à reforma em reunião realizada de manhã pela bancada pepebista. O empenho de Maluf para ajudar o governo nas votações de ontem pode ter garantido o voto de Cunha Lima e alguns outros, mas era interpretado como uma tentativa do ex-prefeito de credenciar-se para um ministério.
‘‘O Maluf tem tudo para ser o novo ministro da Indústria, Comércio e Turismo’’, sugeriu um de seus interlocutores no partido, que pediu para não ser identificado. ‘‘É um dos melhores representantes do setor industrial paulista; representa a bancada de São Paulo, que é maior que a do Rio de Janeiro ligada ao atual ministro Francisco Dornelles (PPB-RJ); e o governo ainda estaria livre do incômodo de ter Maluf na oposição, pelo menos por enquanto’’, comentou.
No PMDB, as dificuldades também não foram poucas. O líder do partido na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), contabilizava uma dissidência de no máximo 18 deputados, mas outros peemedebistas apostavam em 32 votos contrários. ‘‘Não há compromisso de que votar a favor agora pode abrir caminho no governo, no futuro, mas a gente vive de expectativa...’’, admitiu.
O presidente FHC acompanhou, do Palácio do Planalto, as articulações no Congresso, conversando com os líderes. (A.E.)

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