Pensando em reeleição, Lula lança livro
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sábado, 22 de outubro de 2005
Tânia Monteiro<br> Agência Estado 
Brasília - Sem alarde e com cuidado para não provocar os adversários antes da hora, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já iniciou as conversas, ainda restritas ao núcleo de governo, para montar o comando de sua campanha à reeleição. Embora diga que vai decidir ''no momento oportuno'' se deve ou não concorrer em 2006, Lula avalia que a crise política começa a arrefecer e está cada vez mais animado com a candidatura.
Apesar de repetir que só em abril ou maio vai decidir se é candidato à reeleição, o presidente Lula só pensa nisso. Na última quinta-feira, ao discursar no congresso do PC do B, Lula não pareceu ter dúvida. ''Olha, companheiros, para fazer tudo o que a gente quer, vai precisar de mais alguns mandatos'', admitiu.
Na semana passada, durante sua viagem de uma semana à Europa, Lula dedicou boa parte de suas conversas para falar dos feitos em seus quase três anos de governo e de sua permanência no cargo depois de 2006.
Nas conversas, principalmente em Portugal e na Itália, onde se reuniu com sindicalistas, políticos de esquerda, representantes de organizações não-governamentais e empresários, Lula revelou, por exemplo, que em janeiro vai lançar um livro, em várias línguas, para enviar a líderes políticos mundiais e apresentar os seus feitos.
Os livros não serão distribuídos só nas viagens ao exterior que o presidente pretende fazer no ano que vem. Lula quer usar a edição em português da obra para contestar os adversários políticos.
Em 2006, serão poucas viagens internacionais, de acordo com assessores. A agenda inclui quatro países da África, embora o alvo de Lula para distribuir seu livro seja outro: Europa e Estados Unidos, onde quer prosseguir o trabalho de convencer empresários de que podem investir no Brasil, sem sustos ou riscos. Ainda não há definição do número de exemplares a ser distribuídos e para quais línguas será traduzido.
''Precisamos mostrar o que estamos fazendo'', disse Lula, em uma reunião com as ONGs, em Roma, depois de listar vários projetos desenvolvidos em seu governo, dando destaque para o Bolsa Família.
A todos, inclusive à esquerda italiana, Lula afirmou que ''a crise está sendo dominada, a inflação está caindo, os salários, subindo e muitos avanços estão acontecendo no País, que a oposição não acreditava e nem gostaria que estivessem''. Aos empresários, o principal tom do discurso foi que podem investir sem susto, ''não haverá mágicas na economia ou mudanças de rumo por causa das eleições''.


