O ex-prefeito de Londrina, Antonio Belinati, e os outros denunciados pelo Ministério Público podem pegar de nove a 37 anos de prisão se forem condenados pelos crimes de peculato, falsificação ideológica, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. São 36 pessoas acusadas de envolvimento no desvio de R$ 1,7 milhão dos cofres municipais através de licitações fraudulentas na Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) e na extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb).  O promotor de Investigações Criminais (PIC), Cláudio Esteves, disse ontem que o pedido de prisão de Belinati e dos outros denunciados estava com o juiz da 4ª Vara Criminal, Arquelau Ribas, já há cerca de 60 dias. Esteves e os promotores Solange Vicentin, Sérgio Correia de Siqueira e Roberto Tonon Júnior são os autores da ação que desencadeou a prisão do prefeito cassado, do ex-presidente da Sercomtel, Rubens Pavan, e do ex-secretário de Administração, Wilson Mandelli.
  Segundo eles, o dinheiro desviado pertencia ao Conselho de Gestão Financeira (Cogefi) e foi subtraído com a ajuda de empresários que emprestaram suas contas bancárias. A ordem para a movimentação vinha do ex-prefeito, que nesse caso é responsabilizado por ter facilitado a apropriação de recursos públicos por terceiros, explicou Esteves.
  As falsas licitações eram fabricadas somente após os depósitos, que foram comprovados com a quebra de sigilo bancário dos envolvidos. Os promotores acreditam que essa medida foi decisiva para fundamentar a acusação. Além da investigação financeira, a Justiça também autorizou a indisponibilidade de bens de 118 pessoas. Pode ser que apareçam mais, adiantou Esteves.  Na ação que motivou as prisões, os promotores apontam que da AMA saíram R$ 880 mil e da Comurb R$ 815 mil. Rubens Pavan é indicado como um dos principais beneficiados pelo esquema. Conforme os promotores, ele teria recebido R$ 794.500,00. Cláudio Esteves admitiu a possibilidade de ligação entre o depósito dessa quantia e o empréstimo feito por Pavan no Banestado, no valor de R$ 1 milhão. Um fluxograma fornecido pelos promotores mostra o destino dado ao dinheiro desviado e nas mãos de quem ficou.
  De acordo com o promotor Sérgio Correia de Siqueira, a prisão preventina decretada pelo juiz Arquelau Ribas tem duração de 82 dias e pode ser prorrogada até o julgamento da ação. Existe a possibilidade do Tribunal de Justiça conceder a liberdade através de habeas corpus. Novas prisões poderão ocorrer se for julgado conveniente, explicou Esteves.
  Para os promotores, os denunciados na ação configuram uma quadrilha especializada no desvio de recursos públicos e suas atitudes enquadram-se na lei de crime organizado. O promotor disse que, por enquanto, é impossível contabilizar o rombo total no caixa municipal. Mas já está comprovado o desvio de pelo menos R$ 16 milhões nas licitações fraudulentas da AMA e da Comurb.

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