Brasília - A crise entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e a corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) intensificou-se ontem com a divulgação de que o presidente do STF e do CNJ, Cezar Peluso, e o ministro Ricardo Lewandowski receberam verbas extras de até R$ 700 mil da Justiça paulista relativas a auxílio moradia. Peluso chegou a divulgar uma nota sugerindo que a corregedoria investigara ilegalmente ministros da corte e ameaçando com a abertura de uma ação penal.
A corregedoria do CNJ investigava suspeitas de pagamentos irregulares pelo Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo a desembargadores, mas a apuração foi suspensa na segunda-feira por uma liminar concedida por Lewandowski. Tanto Lewandowski quanto Peluso integraram o TJ antes de tomar posse no STF. Num comunicado veiculado no início da tarde, Peluso defendeu Lewandowski da acusação de que o ministro teria beneficiado a si próprio ao paralisar a inspeção realizada pela corregedoria nos pagamentos a desembargadores, conforme noticiado pela Folha de S.Paulo.
Para o presidente do STF e do CNJ, não cabe à corregedoria investigar ou quebrar os sigilos fiscal e bancário de ministros do STF. ''Se o foi, como parecem indicar covardes e anônimos 'vazamentos' veiculados pela imprensa, a questão pode constituir flagrante abuso de poder'', disse.
Em outra nota, a corregedoria do CNJ nega que tenha divulgado informação sigilosa obtida durante as inspeções e explica que teve acesso, como órgão de controle, aos dados relativos à declaração de bens e folha de pagamento.

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