Para colocar em dia os salários dos cerca de 2 mil servidores, o prefeito de Apucarana, Valter Pegorer (PFL), pretende recorrer a um financiamento, que já está negociando com bancos. Parte das folhas de outubro, novembro e dezembro e o 13º integral estão atrasados. Outra prioridade do prefeito será a renegociação para parcelar as dívidas com o INSS e FGTS, visando obter as certidões negativas.
Pegorer está tentando resolver ainda a situação dos telefones da prefeitura, que estão cortados há 3 anos e meio. Ele disse que já está renegociando a dívida de R$ 400 mil com a Telepar e na próxima semana espera poder religar o telefone geral e todos ramais. Ele também pretende criar uma linha gratuita para atendimento dos munícipes.
Durante entrevista coletiva concedida ontem de manhã, Pegorer disse que uma auditoria irá apurar detalhadamente todo o quadro administrativo-financeiro e o resultado será encaminhado ao Tribunal de Contas (TC) e, se necessário, também ao Ministério Público (MP).
‘‘Nada me assusta em relação a esse caos que encontramos. Tenho absoluta convicção de que em pouco tempo conseguiremos reverter essa situação’’, argumentou. Ele ressaltou que nos primeiros três meses irá decretar economia de guerra. A partir de abril, com o caixa equilibrado, pretende iniciar seu plano de obras.
Amanhã, a partir das 13h30, no Ginásio de Esportes do CAIC, Pegorer terá uma reunião com todos os 2 mil servidores. ‘‘Será um encontro para apresentar nossas propostas de trabalho e dar motivação a todos servidores, do médico ao gari, inclusive com a participação de um psicólogo e um especialista em marketing pessoal’’.
Apresentando um relatório preliminar, o prefeito disse que a dívida do município soma atualmente R$ 54 milhões, sendo R$ 20 milhões de despesas vencidas e mais R$ 34 milhões parcelados a longo prazo. Segundo ele, o ex-prefeito Carlos Scarpelini (PSDB) faltou com a verdade ao afirmar, quando deixou o cargo, que havia deixado a mesma dívida herdada da administração anterior, em torno de R$ 13 milhões. ‘‘Ao final da minha gestão anterior (1993/96) ficaram R$ 13,3 milhões de dívidas e agora a realidade é muito pior, com mais de R$ 50 milhões a pagar’’, avaliou Pegorer.
Ainda com relação às finanças, Pegorer informou que existem mais R$ 140 mil de dívidas da Autarquia Municipal de Saúde e mais R$ 283 mil de pendências geradas pela Associação de Proteção à Maternidade e Infância (APMI).
A área de educação é, conforme Pegorer, a que está mais equilibrada. Porém, ele ressaltou que já foi detectada uma irregularidade – o desvio de R$ 200 mil. ‘‘Houve uma falha ilegal e imperdoável, pois o dinheiro saiu da conta do Fundef em dezembro, ficando evidenciado o desvio de finalidade’’, revelou, acrescentando que o caso será notificado ao Ministério da Educação e ao Ministério Público.
Pegorer se manifestou contrariado com o saldo das dívidas contraídas, durante sua primeira gestão, com os bancos Santos e Itamaraty. Segundo ele, em 96, quando deixou a prefeitura, a dívida estava em R$ 4,5 milhões e na gestão de Scarpelini, saltou para R$ 25 milhões. ‘‘Isto é um absurdo que pretendo apurar na justiça, inclusive com a contratação de um perito matemático’’, declarou o prefeito, argumentando que a dívida, parcelada em 30 anos, compromete o futuro de Apucarana.

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