Pefelista flagrado com dinheiro em malas é expulso
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terça-feira, 12 de julho de 2005
Silvio Navarro e Ranier Bragon<br> Folhapress 
Brasília - Para conter danos à imagem do partido, a Executiva Nacional do PFL decidiu ontem, por unanimidade, cancelar a filiação do deputado João Batista Ramos da Silva (SP), o que, na prática, representa sua expulsão da sigla. O deputado, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, foi surpreendido pela Polícia Federal transportando R$ 10,2 milhões em malas, num jatinho dentro do hangar da TAM em Brasília.
O deputado argumenta que o dinheiro é fruto do dízimo recolhido dos fiéis e que fora autorizado pela direção da igreja a carregar o montante para ser depositado em São Paulo. Ele viajaria em um avião da igreja, com outras seis pessoas mas o vôo foi abortado pela polícia, após uma denúncia anônima.
Após ouvir o deputado, anteontem, a PF decidiu encaminhar o caso ao STF (Supremo Tribunal Federal), que decidirá sobre a instauração de inquérito para apurar se foram praticados os crimes de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. Até ontem, no entanto, a PF não havia enviado o caso ao tribunal.
O dinheiro foi apreendido e encaminhado para o Banco Central. Vinte homens da Polícia Federal e quatro carros fizeram a escolta do dinheiro. Um grupo de advogados que defendem a igreja tentam recuperar os valores por meio de um mandado de segurança no STF.
Reunida em caráter emergencial, a Executiva pefelista optou pela saída do deputado. Cabe recurso à decisão na Convenção Nacional do partido. O deputado afirmou que não vai recorrer, mas que espera que o partido recue da punição. Na resolução, a Executiva diz que João Batista ''contrariou princípios básicos inerentes à atividade parlamentar e partidária''.
''Cada um escolhe a sua própria religião, mas implica que, na atividade parlamentar, a atividade religiosa não venha a criar conflitos com aquilo que pensa o partido'', disse o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC).


