O ex-prefeito de Jussara (124 quilômetros a leste de Umuarama) Pedro Cândido de Oliveira (PFL) é acusado de desviar o dinheiro de um convênio que recebeu na véspera de encerrar o mandato. Segundo o advogado da prefeitura, Deolindo Antônio Novo, Oliveira recebeu da Secretaria do Meio Ambiente um cheque de R$ 85 mil referente ao convênio para construção de um parque ecológico. O advogado disse que o prefeito pegou o cheque dia 28 de dezembro, mas não repassou aos cofres públicos. Depositou dia 2 de janeiro na conta de um comerciante de Jussara, cujo nome é mantido em sigilo.
O depósito foi feito no caixa eletrônico de uma agência do Banestado em São José dos Pinhais. Oliveira também teria desviado R$ 52 mil destinados à reforma do ginásio de esportes. Segundo o advogado, a Construtora Pinheiro, de Umuarama, desistiu de executar a obra alegando que teria prejuízo e devolveu o cheque da prefeitura.
O prefeito teria assinado o ofício no qual a empresa comunicava a desistência e depositado o cheque na conta dele, no Banestado. Funcionários e gerentes do banco também terão de dar explicações ao Ministério Público. Os cheques cruzados e nominais não poderiam ser depositados em contas de terceiros.
Segundo Novo, as duas denúncias já estão nas mãos do promotor José Roberto Moreira, de Cianorte, que instaurou inquérito civil público para apurar os desvios. O ex-prefeito deve ser denunciado por peculato (apropriação indébita cometida por agente público).
Técnicos da Universidade Estadual de Maringá devem concluir em 10 dias a auditoria nas contas da prefeitura. Segundo Novo, a auditoria, solicitada pelo prefeito Ailton Vieira de Matos (PSDB), deve apontar mais irregularidades. Ele calcula que os desvios cheguem a R$ 500 mil.
Oliveira mudou-se para Curitiba no final do ano passado, depois de perder a eleição. Ninguém soube informar o endereço dele. Deixou dívidas de quase R$ 1 milhão e salários atrasados que motivaram uma greve dos funcionários no final do ano. Reteve o carro oficial do gabinete, um Santana, e não apareceu para entregar o cargo. O Santana foi deixado dia 4 de janeiro na garagem da Ouvidoria Geral do Estado, em Curitiba.

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