O deputado Ney Lopes (PFL-RN), relator do projeto de lei que altera o IR, acha que os deputados deveriam olhar com mais atenção para a proposta elaborada pela Receita Federal. ''Todo mundo criticou sem nem ter olhado direito'', comentou. Ele mantém essa opinião, apesar de seu partido integrar a aliança que defende a correção de 20%. ''A correção linear de 20% só beneficia os mais ricos.'' Ele ressalvou, porém, que respeita a posição adotada por seu partido.

Na sua opinião, a proposta apresentada pelo governo é ''socialmente justa'' e só teve um defeito: não corrigir os limites de dedução com educação e dependentes, que também estão congelados desde 1996. Lopes acha que se esses limites fossem reajustados em 20% e fosse criada mais uma dedução nova abatimento de juros no pagamento da casa própria, por exemplo a proposta do governo ficaria melhor do que a correção de 20% defendida pela aliança entre PFL, PMDB e partidos de oposição.

Uma das vantagens da proposta de Everardo Maciel, segundo Lopes, é que a perda de receitas é inferior a R$ 1 bilhão. Com a correção de 20%, a queda na arrecadação seria de R$ 3,5 billhões. Quanto menor a perda de receita menores serão os cortes que deputados e senadores terão de fazer no Orçamento de 2002.

A proposta do governo foi rejeitada pelos deputados porque aumentava a carga tributária de alguns contribuintes, criando alíquotas de 30% e 35%. É uma desvantagem, se comparada com a correção linear de 20%, porque nessa hipótese todos os contribuintes passarão a pagar menos imposto. (AE)

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