Ao desembarcar no final da tarde de ontem em Salvador, o senador Antonio Carlos Magalhães afirmou que vai preparar seu discurso de renúncia no final de semana e disparou críticas contra o presidente do Conselho de Ética do Senado, Ramez Tebet (PMDB-RS), e o presidente Fernando Henrique Cardoso. ‘‘O julgamento de ontem no Conselho de Ética foi conduzido por um presidente fascista e sem nenhum senso de justiça’’, disse o senador baiano, que deixou implícito que pretende renunciar na próxima quarta-feira.
De acordo com ACM – que desembarcou na capital baiana em um jatinho fretado – o presidente Fernando Henrique Cardoso não esteve ao seu lado nos últimos meses. ‘‘Desconheço o papel do presidente Fernando Henrique Cardoso. Não sei como ele agiu, mas, ao meu lado, com certeza, ele não agiu. Isso, para mim, é muito bom, porque eu não queria que ele agisse ao meu lado.’’
Na entrevista, Antonio Carlos Magalhães confirmou que vai renunciar. ‘‘Não permitirei que o meu julgamento fique à disposição do presidente (do Senado) Jader Barbalho (PMDB-PA). Eu não tenho relações pessoais com ele e não quero que ele dê um voto para me absolver ou condenar’’, disse. ‘‘Acho que tenho chance para ganhar na mesa, mas, talvez, não seja vantajoso voltar a debater com as mesmas pessoas facciosas’’, completou.
ACM também criticou o senador Saturnino Braga, autor do relatório que pediu a abertura do processo de cassação. ‘‘O relator apresentou um texto premeditado, declarando a minha culpa. Ele ainda coagiu pessoas que deveriam ser juízes, mas eram políticos.’’ Antonio Carlos Magalhães considerou normal a renúncia do senador José Roberto Arruda. ‘‘A renúncia é normal, mas ele foi esbulhado pelos integrantes do Conselho de Ética. O que aconteceu com o Arruda foi uma aberração jurídica’’, disse.
O senador disse ainda que vai passar o final de semana escrevendo o seu discurso de despedida. ‘‘Vou aguardar a posição dos meus advogados, mas já começo a trabalhar no discurso que apresentarei no Senado na próxima quarta-feira’’. O senador baiano acrescentou que será candidato às eleições no ano que vem, a governador ou ao Senado. ‘‘Perdendo ou ganhando, eu vou vencer. Existe uma diferença muito grande entre a opinião pública e a opinião publicada pela imprensa. Estou sofrendo um linchamento.’’

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