Curitiba - A proximidade das eleições internas no PMDB do Paraná, agendadas para a segunda quinzena de dezembro, tem evidenciado os problemas encontrados pelos caciques do partido, interessados em estancar a ''desidratação'' da legenda. Em 2008, o PMDB saiu das urnas com 138 prefeituras. Passados quatro anos, elegeu seus correligionários em apenas 56 cidades, perdendo o comando de 86 municípios do Paraná. Também perdeu 190 vereadores no período, caindo de 751 para 561 parlamentares.
Líder do PMDB na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, o deputado estadual Caíto Quintana entende que é hora de ''fortalecer a legenda, unindo as forças de todas as correntes do partido, de olho na sobrevivência''. Ele participou, na noite de segunda-feira, de uma reunião a portas fechadas na AL que reuniu metada da bancada dos deputados estaduais, o ex-governador Orlando Pessuti, o senador Sérgio Souza, o deputado federal Osmar Serraglio e Rodrigo Rocha Loures, chefe do gabinete de apoio à vice-presidência da República.
Os deputados estaduais, junto com membros da atual diretoria do partido, têm lançado a ideia de uma chapa que renove a legenda. A ''Unidade Peemedebista'', como eles próprios chamam a iniciativa, tem pela frente um confronto com o grupo liderado por Orlando Pessuti, mais outro adversário na figura do atual senador Roberto Requião. Ambos se colocam como candidatos à presidência estadual do PMDB, enquanto os políticos da AL querem um deputado estadual no cargo, hoje ocupado por Waldyr Pugliesi.
''Foi um encontro que transcorreu tranquilo, sem nenhum problema. Conversamos bastante e teremos outra reunião semana que vem'', afirmou Pessuti. Ele defende que a nova Executiva do PMDB não fixe compromissos para a eleição de 2014, ''sem vincular a legenda a esse ou aquele grupo''. É um equilíbrio tenso, pois um dos articuladores do governo Beto Richa (PSDB), deputado estadual Luiz Claudio Romanelli, defende publicamente o apoio ao tucano nas próximas eleições. ''Temos uma aliança programática com o Beto Richa no Paraná'', alega Romanelli, que fica bravo quando o assunto desvia para a ampliação dos cargos destinados ao PMDB no governo estadual.
Romanelli nega veementemente, por exemplo, que numa futura reforma do secretariado Beto Richa (PSDB) ''compartilhe'' mais duas pastas com o PMDB, mesmo que de segundo escalão. O assunto tem aparecido nos bastidores, como uma garantia da união entre o projeto político do tucano e o PMDB nas próximas eleições.

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