Curitiba - O Ministério Público Federal (MPF) denunciou o deputado estadual Nereu Moura, o ex-deputado Luiz Cláudio Romanelli, ambos do PMDB, e outras três pessoas –Paulo Gomes Júnior, Tani Lemos do Prado Colaço e Rosângela Chrispim Calixto–, por formação de quadrilha e peculato. Segundo a denúncia, haveria indícios de desvio de dinheiro dos cofres da Assembléia Legislativa, entre os anos de 2000 e 2001.
  O caso começou a ser investigado pelo Ministério Público (MP) estadual, mas como houve indício de fraude contra a Receita Federal, foi repassado para a Polícia Federal (PF), cujo inquérito teria embasado a denúncia do MPF. O documento, assinado pelos procuradores regionais da República Paulo Girelli e Jorge Gasparini, foi protocolado, anteontem, no Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ªRegião, em Porto Alegre. Parlamentares têm direito a foro privilegiado. Por essa razão, o processo vai direto para segunda instância. A denúncia será analisada pelo desembargador Luiz Fernando Wowk Penteado.
  De acordo com o MPF, o
suposto esquema de desvio
era centralizado pelo então chefe de gabinete de Moura, Paulo Gomes Júnior. De posse de procurações assinadas por sete servidores ocupantes
de cargos em comissão –um deles seria ‘‘fantasma’’–, Gomes Jr. recebia diretamente
em uma de suas contas bancárias os valores destinados aos vencimentos dos comissionados. O dinheiro era transferido para outro banco, de onde eram realizados saques periódicos em nome dos outros quatro envolvidos.
  O MP havia apurado que, em 2000, saíram da conta corrente do chefe de gabinete R$ 72.324,34, o que representaria quase dez vezes mais do que o total de seus vencimentos no período. Em 2001, os saques teriam sido de R$ 92.724,04, contra vencimentos de apenas R$ 29.313, 40.
  Gomes Jr. e Rosângela teriam, ainda, conseguido restituição de Imposto de Renda em nome de servidora ‘‘fantasma’’ por meio de fraude na declaração. A conta corrente indicada seria a mesma em que Gomes Jr. receberia os vencimentos destinados aos cargos em
comissão.
  Moura, segundo sua assessoria, estava, ontem, em viagem pela região de Cascavel. Em nota, afirmou que recebeu com surpresa a divulgação da denúncia, pois ainda não teria sido notificado pela Justiça, e que estranhou que os fatos investigados há três anos venham a público, somente agora, às vésperas de um processo eleitoral. Ainda segundo a nota, a Assembléia arquivou o procedimento disciplinar contra Moura por conta da improcedência da denúncia.
  Romanelli atendeu o celular, mas se negou a dar entrevista. Os outros três não foram localizados. Rosângela era jornalista do PMDB na época e Tani Colaço, ex-primeira-dama de Irati, também trabalharia para a liderança do partido.
  O advogado Eduardo Duarte Ferreira disse que deve fazer a defesa dos denunciados –com exceção de Gomes Jr., que teria outro advogado. Ele argumentou que o uso de uma conta bancária para o depósito do salário de comissionados não caracterizaria qualquer ilegalidade e que é uma prática normal na Assembléia, já muitos funcionários não podem ter uma conta corrente própria. Lembrou, ainda, que a suposta funcionária ‘‘fantasma’’ –Elza Chrispim, mãe de Rosângela– trabalhava pela liderança do PMDB no Interior.

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