Curitiba - O deputado Nereu Moura (PMDB) e o ex-deputado estadual e atual secretário geral do PMDB-PR, Luiz Cláudio Romanelli, rebateram ontem a denúnica feita pelo Ministério Público (MP) federal que os acusa dos crimes de formação de quadrilha para desviar dinheiro da Assembléia Legislativa e peculato (desvio de dinheiro ou bem por funcionário público). Romanelli afirmou que seu nome aparece nas transferências bancárias de dinheiro feitas pelo ex-chefe de gabinete da líderança do PMDB na Assembléia, em 2000, Paulo Gomes Júnior – acusado de ser o responsável pelos desvios – porque estava recebendo o pagamento de uma dívida pessoal. Moura, que era o líder do PMDB na época, afirmou que recebeu dinheiro uma única vez e que a transferência foi por conta de uma restituição.
  Moura explicou que Gomes Júnior já era funcionário antigo da liderança do PMDB quando assumiu o cargo e foi mantido no posto. O deputado disse também que muitos funcionários da liderança trabalham fora da Assembléia e alguns no interior do Estado. E, como era de Gomes Júnior a responsabilidade pelos funcionários, muitos deles passavam procurações para que o então chefe de gabinete pudesse receber o salário por eles. ‘‘Isso não é ilegal. A Assembléia permite’’, justificou o deputado. O MP federal acusa Gomes Júnior de pagar apenas R$ 500 para seis funcionários – Débora Gomes Machado, irmã de Gomes Júnior, Renata Mendes, esposa, Raquel Mendes, cunhada, Jairo Machado, casado com Raquel, Reginaldo Ferreira e Osório Moura, irmão do deputado – e repassar o restante, entre R$ 1,1 mil a R$ 3,5 mil, para os acusados.
  Segundo o procurador do MP federal de Porto Alegre, Paulo Girelli, Gomes Júnior admitiu em depoimento que fazia parte desses repasses a Moura em dinheiro. ‘‘Depois ele modificou o depoimento’’, afirmou. O deputado nega as acusações e confirma apenas uma transferência bancária da conta do então chefe de gabinete para a sua no valor de R$ 4.062. ‘‘Eu paguei um seminário da bancada do PMDB. E, como o custo desses seminários são divididos entre todos os deputados, o Paulinho ficou responsável por pegar o dinheiro e me restituir’’, disse. Moura disse ainda que a denúncia é antiga e que ele próprio pediu para a Corregedoria da Assembléia investigá-la em 2003 e nada foi constatado. ‘‘Vou mostrar na próxima terça-feira todos os documentos provando que a denúncia é infudada.’’

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