Peemedebistas do PR fazem ressalvas sobre fusão
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quarta-feira, 18 de julho de 2012
José Lazaro Jr. <br>Equipe da Folha 
Curitiba - A fusão do PMDB com outros partidos, anunciada anteontem pelo presidente nacional da legenda, senador Valdir Raupp, não surpreendeu dirigentes da sigla no Paraná. Apesar de não se oporem ao crescimento do partido no país, Waldyr Pugliesi e João Arruda, presidente e secretário-geral da sigla no estado, fizeram ressalvas ao processo de negociação.
''Desde que respeitem o programa do partido, não vejo problemas. O PMDB tem ideais imutáveis, como a defesa das empresas nacionais estratégicas'', declarou Pugliesi. De acordo com a legislação eleitoral, um processo de fusão entre dois ou mais partidos libera todos os filiados das legendas para trocarem de cores partidárias, sem perda dos mandatos parlamentares, caso estejam em desacordo com o resultado.
Em Brasília, Raupp mantém segredo sobre quais seriam as seis legendas que o procuraram, interessadas em uma união com o PMDB logo após as eleições municipais deste ano. A possibilidade de o DEM ser uma destas siglas preocupa o deputado federal João Arruda. ''Eu não sou radicalmente contra fusão com outros partidos, mas tem que ser um movimento bem avaliado pela executiva do PMDB'', alerta.
''No caso de uma fusão com o DEM, a bancada do Paraná na Câmara Federal não muda, pois a tendência é que estes deputados migrem para o PSD. Não vejo o Abelardo Lupion (DEM) e o Luiz Carlos Setim (DEM), por exemplo, no PMDB. Talvez seja diferente em outros estados, mas no Paraná é assim mesmo'', avaliou Arruda.
O deputado estadual Artagão Jr. (PMDB) adiantou que a bancada discutirá este assunto em agosto, com o fim do recesso parlamentar. ''Já somos o maior partido do país, com bancadas decisivas no Senado e na Câmara dos Deputados. Temos que ouvir a direção do partido para analisar melhor este novo cenário'', sentenciou.
A reportagem apurou que a fusão do PMDB com outros partidos teria relação com a disputa eleitoral de 2014, pois o tempo de televisão destinado aos partidos está diretamente associado ao tamanho das bancadas no Congresso. Com um aumento expressivo no número de deputados federais, o PMDB teria melhores condições nas disputas dos governos estaduais e pela vice-presidência da República, numa eventual candidatura de Dilma Rousseff (PT) à reeleição. Hoje, esse cargo estaria sendo cobiçado também pelo PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos.


