Pedro Simon: ''Chegou a minha vez''
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domingo, 02 de setembro de 2001
Lúcio Horta<BR>De Londrina 
O senador gaúcho Pedro Simon (PMDB) foi sondado nas últimas três eleições para disputar a Presidência da República, após o reestabelecimento do regime democrático. Recusou todas, em nome de outros companheiros de partido. Para 2002, ele decidiu que a história seria diferente. Simon foi o primeiro dentro do PMDB a lançar a candidatura, ainda em novembro do ano passado. E espera que a definição do nome ocorra já em 9 de setembro, durante a convenção nacional do partido.
A parada, no entanto, promete ser dura. De um lado, os chamados ''governistas'' articulam nos bastidores uma aliança com o candidato do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). No outro extremo, está o nome do governador mineiro Itamar Franco, que defende o rompimento total com o governo federal.
Itamar tem atraído não só a atenção da mídia como de figuras importantes do PMDB como o senador Roberto Requião. ''Acho que eu merecia um pouco mais de consideração dele (Requião)'', reclama Simon. Não bastassem as disputas internas, o senador gaúcho estranha que sua candidatura seja ignorada pela mídia, sobretudo do chamado eixo Rio-São Paulo. '' A minha candidatura não existe, e quando existe é só para levar pau'', lamenta.
A corrida pela sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso, ano que vem, poderá trazer para o horário eleitoral um dos políticos mais respeitados do Brasil. De quebra, um orador brilhante. O senador Pedro Simon, do PMDB gaúcho, lançou a pré-candidatura ainda no ano passado e está confiante de que tem chances reais de ganhar a eleição.
Nascido em Caxias do Sul, em 1930, o senador pretende levantar as velhas bandeiras do partido o ''MDB'', como ele prefere chamar, remetendo à origem de oposição ao regime militar. O discurso pela ética e o fim da impunidade estão entre as prioridades. A erradicação da fome também é uma bandeira que o senador quer levantar.
Se perder na convenção, no entanto, Simon garante que fará campanha para o outro pré-candidato, o govenador de Minas Gerais, Itamar Franco. O que ele não acredita é em uma vitória da ala governista do PMDB que não quer o rompimento com Fernando Henrique e pretende jogar somente para o ano que vem a definição do nome que irá disputar a Presidência.
De passagem por Londrina na última quinta-feira, onde participou do seminário ''O Ministério Público e a Cidadania Plena'', Simon não deixou de espetar o colega Roberto Requião, que tem ensaiado apoio a Itamar. ''Acho que comigo ele está cometendo uma injustiça'', afirmou. A seguir, trechos da entrevista.


