São Paulo - Apesar do deficit brasileiro de US$ 7,7 bilhões nas trocas ecomerciais com os Estados Unidos no ano passado, não é realista que o País aproveite a visita do presidente norte-americano Barack Obama para buscar contrapartidas. A avaliação é do professor de Relações Internacionais Antônio Jorge Ramalho, da Universidade de Brasília (UnB), em entrevista à Agência Estado.
''Não seria realista'' exigir contrapartidas, afirmou Ramalho por e-mail, ao ser questionado sobre o deficit brasileiro na relação comercial com os EUA, segundo dados do governo nacional. ''O Brasil pode aproveitar a ocasião para denunciar subsídios em setores específicos e pedir compensações'', explicou o professor. ''Mas as razões pelas quais os EUA tiveram superávits são estruturais: relacionam-se mais com a apreciação do real (e depreciação do dólar) e com a maior competitividade da economia americana, do que com políticas públicas específicas.''
Segundo Ramalho, o ''foco imediato'' da visita de dois dias de Obama ao Brasil é econômico, mas há também importantes interesses de longo prazo, ''especialmente com relação à estabilidade regional e o papel do Brasil como um líder emergente que compartilha valores e interesses com os EUA no plano global''.
''O presidente Obama quer realçar a maior atenção que pretende dar à região, à medida que os EUA se desengajem dos conflitos em que estão envolvidos no Oriente Médio e na Ásia'', acredita Ramalho. Além disso, o especialista cita interesses de longo prazo de Washington, com relação à estabilidade regional, por exemplo, e também a busca de mais cooperação no ''campo tecnológico e policial''.
ONU
Há a expectativa no Brasil sobre a possibilidade de Obama declarar apoio à campanha brasileira por uma vaga permanente no Conselho de Segurança (CS) da ONU, uma antiga demanda do País. ''Dificilmente o presidente Obama faria semelhante afirmação agora'', diz Ramalho. ''Não há nada a ganhar do ponto de vista dos EUA e há algo a perder, especialmente pelo que isso significaria para outros países da região.'' Ramalho diz que não há ''no horizonte previsível condições para se realizar uma reforma'' do CS. ''Quando o assunto se colocar, os EUA negociarão seu apoio, que tenderá a vir de qualquer maneira'', diz.
A embaixada norte-americana em Brasília informou, nesta sexta-feira, que o discurso de Obama previsto para domingo no Theatro Municipal do Rio não será mais um evento público e ficará restrito a convidados. Para Ramalho, o foco do discurso será ''melhorar a imagem dos EUA na região e comunicar à sociedade brasileira que temos mais em comum do que geralmente se reconhece''.

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