Brasília - Em resposta às críticas do PT, o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), afirmou ontem que a crise política que atinge o Senado é responsabilidade exclusiva do presidente da instituição, José Sarney (PMDB-AP). Agripino disse que dói mais no DEM -principal apoiador de Sarney na disputa pelo comando da Casa- do que no PT pedir o afastamento do peemedebista porque é como ''cortar na própria carne''.
O líder disse que o DEM votou com consciência em Sarney pela importância histórica do peemedebista, mas que a cobrança para a licença surge porque as investigações precisam ter credibilidade.
''A responsabilidade pela crise é responsabilidade exclusiva do presidente Sarney. O presidente Sarney é um estadista com uma grande história e grandes méritos, mas que não impede de fazer uma investigação transparente só porque ele é o objeto. Foi mais difícil para nós essa proposta do afastamento do que para vossas excelências. Rasgamos na própria carne em benefício da instituição'', afirmou.
Agripino disse que não é possível apenas dizer que os parlamentares do DEM que ocuparam a primeira secretaria nos últimos anos também têm responsabilidade pela crise sem apontar as irregularidades. ''Quero que o senador Mercadante aponte alguma irregularidade praticada pelo DEM. Se ele está falando isso, tem a obrigação de apontar as falhas do DEM. Do contrário, o senador vai ficar no campo da leviandade'', disse.
O democrata negou que o partido tenha abandonado o presidente do Senado. ''Nossa iniciativa e nossas ações são a favor da Casa. Não abandonamos Sarney. Não pedimos que vá ao Conselho de Ética. Só queremos que as investigações ocorram em clima de isenção, sem a dúvida de que ocorreu com a tutela de alguém. Temos que passar a limpo'', afirmou.
O líder do DEM disse que a bancada do PT precisa lembrar que votou, em 2003, a favor da eleição de Sarney para a presidência, assim como em Renan Calheiros (PMDB-AL) e Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN). ''Os três senadores mantiveram Agaciel Maia no cargo. Quem mantém ou demite um diretor é o presidente do Senado'', disse.

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