O vereador afastado Flávio Vedoato (PSC), atualmente no terceiro mandato, afirmou ontem ter recebido ''apenas uma única queixa'' de usuários de transporte coletivo na cidade em seu gabinete na Câmara. ''Era sobre a falta de rampas para deficientes (no Terminal Urbano). Depois que foram feitas (pela Prefeitura), nunca mais recebi nenhum tipo de reclamação.'' Sobre a relação da empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) com a Casa, defendeu: ''A empresa faz um serviço social muito grande, e, nesse sentido, sempre acabou prestigiando a Câmara, os vereadores, nos cedendo transporte a pessoas carentes''.
De acordo com Vedoato, os casos mais comuns de contatos dele com a empresa, e por fax, com gerente-geral Gildalmo Mendonça, seria referente a usuários que precisavam de ônibus em casos de enterros em áreas distantes das que morava o usuário. O trabalho social, explicou o vereador, pouparia o pagamento de ''ônibus particulares''.
Além de Vedoato, já depuseram no inquérito que apura suposto ''mensalinho'' de R$ 1,6 mil da TCGL a 11 vereadores da atual legislatura, os afastados Luiz Carlos Tamarozzi (PTB) e Osvaldo Bergamin (sem partido), além do presidente da Casa, Sidney de Souza (PTB), do líder do Executivo, Gláudio Lima (PT), Jamil Janene (PMDB), Sandra Graça e Marcelo Belinati (PP). Todos negaram ter recebido o ''cala-boca'' da Grande Londrina denunciado ao Gaeco, em junho, pelo ex-vereador Orlando Bonilha (sem partido). Da mesma forma, mas na contramão do afirmado ontem por Vedoato, a maior parte dos citados garantiu que o único contato pela solução de eventuais queixas de usuários que chegassem à Câmara seria não a TCGL, mas a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), que gerencia o sistema.
''Tenho total desconhecimento de mensalinho e creio que meu nome só foi elencado pelo grau de importância: depois do presidente da Casa, nem é o vice que vem, é o presidente da Comissão de Justiça, que era minha função'', afirmou Vedoato.
O delegado que preside o inquérito corroborou, em parte, o que fora dito por Vedoato. ''Ele se referiu que alguns contatos com a TCGL eram por ofício formal, solicitando a disponibilidade de ônibus para carentes, o que seria inclusive prática usual na Câmara de Londrina. Não mencionou nada em relação à CMTU'', descartou Flore. ''Mas esse contato com a empresa em busca de ônibus, pelo menos, é informação que constou nos depoimentos de vários dos ouvidos.''
Semana que vem, serão ouvidos o vereador afastado Renato Araújo (PP) e os ex-vereadores Henrique Barros (sem partido) e Célio Guergoletto - este, de legislatura passada, também citado por Bonilha.

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