Pedido de vista adia votação de relatório
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terça-feira, 13 de novembro de 2007
Gabriela Guerreiro<br>Folhapress 
Brasília - Os integrantes da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado pediram vista coletiva ontem à tarde do relatório da senadora Kátia Abreu (DEM-TO) que defende a extinção da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2011. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), apresentou voto em separado à matéria com o pedido para que a CPMF seja prorrogada até 2011.
''Esperei até o último momento para que a senadora Kátia Abreu pudesse apresentar o seu relatório favorável à CPMF. Como isso não ocorreu, apresentei à Mesa voto em separado para que possa ser, também, no mesmo momento, apreciado com o pedido de prorrogação da contribuição'', afirmou o líder.
O presidente da CCJ, senador Marco Maciel (DEM-PE), acatou o pedido de vista por 24 horas - o que adia a votação do texto para hoje. Se o texto de Kátia Abreu for rejeitado pela CCJ, o voto em separado de Jucá será automaticamente aprovado pela comissão e seguirá para votação no plenário do Senado. Se receber emendas no plenário, o texto voltará para nova análise da CCJ - que terá 30 dias para analisar as emendas.
Em seu texto, Jucá afirma que a prorrogação da CPMF é fundamental ao país por aspectos fiscais e orçamentários.
''A necessidade de prorrogação da CPMF, para não comprometer os gastos sociais e os investimentos, fica evidente em uma breve análise dos números da proposta orçamentária para 2008. A receita dessa contribuição, prevista em R$ 40 bilhões, tem sua destinação prevista para a área social'', diz Jucá.
O relatório do governista aponta o contrário do que argumenta Kátia Abreu: que o fim da CPMF vai trazer prejuízos à manutenção de programas sociais como o Bolsa Família.
Segundo Jucá, além do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza, a CPMF é essencial para garantir 0,20% de seus recursos ao Fundo nacional da Saúde, além de 0,10% para o custeio da previdência social.
Jucá também rebate em seu as texto sugestões apresentadas por Kátia Abreu para que a CPMF seja extinta. Segundo o senador, o governo federal não tem condições de reduzir o superávit primário nem reduzir investimentos e despesas discricionárias passíveis de contingenciamento.
''As duas alternativas são indesejáveis. Reduzir os investimentos públicos também seria extremamente negativo dada a necessidade de melhorar a infra-estrutura para viabilizar o crescimento da economia'', afirma Jucá.
O líder defende que o Senado acate de forma integral a PEC aprovada na Câmara que prorroga a CPMF, com a rejeição do texto apresentado por Kátia Abreu. Os governistas não querem mudanças no texto aprovado pelos deputados porque, se sofrer modificações, terá que retornar à Câmara para nova votação.


