Pedido de investigação criminal chega hoje ao TJ
O Tribunal de Justiça do Paraná deve receber hoje o requerimento do Ministério Público para que o prefeito Barbosa Neto (PDT) seja investigado por suposto crime de corrupção no esquema de desvio de recursos da Saúde através da contratação do Instituto Atlântico.
A documentação ainda não foi encaminhada ao TJ porque não houve tempo suficiente para fazer cópias das mais de duas mil páginas que integram o inquérito e apensos da operação Antissepsia, informou a assessoria de imprensa do tribunal. Ao ser protocolado no TJ, o requerimento e o inquérito devem ser distribuídos ao desembargador da 2 Câmara Criminal, Lídio José Rotoli de Macedo, já que foi ele quem primeiro decidiu sobre os casos da Antissepsia.
Segundo o MP, a contratação do Atlântico teria se dado por influência direta da primeira-dama e, consequentemente, com o envolvimento do prefeito Barbosa Neto. Além de terem recebido R$ 20 mil, havia a promessa de pagamento de R$ 300 mil.
O MP relata que, uma semana antes da assinatura do termo de parceria, em 8 de dezembro do ano passado, tudo estava se encaminhando para a contratação do Instituto Gálatas. Porém, o publicitário Ruy Nogueira Netto, que conheceu Valverde através do biólogo Ricardo Ramirez, teria feito o lobby do instituto para Ana Laura. Em contrapartida, o presidente do Atlântico, Bruno Valverde, comprometeu-se a entregar R$ 300 mil a Nogueira, que dividiria com Ana Laura e Barbosa e daria uma pequena comissão para Ramirez.
Os promotores relatam a velocidade com que ocorreu a contratação do Atlântico, entidade até então desconhecida e que não teve aprovação da comissão técnica do Conselho Municipal de Saúde. ''Tal decisão administrativa (de contratar o instituto) parece ter sido intensamente dissimulada por Barbosa Neto e asseclas'', escreveram no requerimento.
Valverde, em seu depoimento, afirma que após o primeiro mês de execução do contrato, em janeiro deste ano, Nogueira começou a cobrar os R$ 300 mil. Valverde ponderava que o valor da propina deveria ser menor. Ele diss ter conversado com Ana Laura sobre a pressão e detalhou, no depoimento, ''que Ana Laura enfatizou que não precisava receber valor algum naquele momento, como havia sido dito por Ruy Nogueira; que tais pagamentos deveriam ser feitos mais para frente, isto é, na época de campanha eleitoral, em que Barbosa Neto concorreria à reeleição; que esta conversa ocorreu na sala em que Ana Laura ocupa na prefeitura''.
Sem pagar o lobista, o Instituto Atlântico foi acionado por Nogueira, em ação de cobrança que tramita na 5 Vara Cível de Londrina. (L.C.)





