Pedido de impeachment faz Praczyk deixar cargo na Mesa Diretiva
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 07 de junho de 2010
Rosiane Correia de Freitas<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Assembleia Legislativa teve ontem uma sessão relâmpago que começou com apenas cinco parlamentares em plenário e terminou em menos de uma hora. Apesar do pouco tempo, o bloco do PRB, PSB e PV aproveitou a tribuna para anunciar que o quinto secretário da Casa, deputado Edson Praczyk (PRB), colocará o cargo à disposição por determinação do grupo de partidos.
Segundo o líder do bloco, deputado Reni Pereira (PSB), a permanência na composição da Executiva ficou inviável depois que o PV apresentou um pedido de impeachment contra o presidente da Assembleia, deputado Nelson Justus (DEM) e o primeiro secretário, Alexandre Curi (PMDB). O pedido foi protocolado ontem pelo PV no início da manhã.
''Achamos que seria coerente colocar o cargo à disposição'', explicou Pereira. O deputado, no entanto, não quis dizer se apoia a iniciativa do PV. ''Qualquer partido tem a prerrogativa de pedir o impeachment'', disse. ''O PV quer é sair na fotografia'', comentou. A deputada Rosane Ferreira (PV) declarou que não quer ''nem o ônus nem o bônus'' da decisão do partido. E não quis dizer se é favorável ao pedido de impeachment. ''Eu me submeto à decisão do partido'', completou.
O pedido de impeachment feito pelo PV foi recebido ontem pela Assembleia, no fim da manhã. Segundo o dirigente do partido, Paulo Salamuni, o PV já havia apresentado uma moção de repúdio aos escândalos que envolvem o Legislativo e protocolado um pedido de afastamento da Mesa Executiva da Casa. ''Como não há providências dentro da Casa, a Constituição Estadual permite que o partido apresente o pedido'', justifica.
Justus disse à imprensa que espera que o pedido ''seja apurado o mais rápido possível''. ''Sou um homem de formação jurídica. É natural que exista esse pedido e ele vai tramitar normalmente na Casa'', completou. No fim da sessão, Justus chegou a afirmar que a saída de Praczyk da Mesa era uma ''retratação'' do bloco do PV, explicação que foi rechaçada por Pereira: ''De forma alguma''.
Segundo o deputado Stephanes Júnior (PMDB), integrante da Comissão de Ética, o grupo deverá se reunir esta semana para discutir o andamento do pedido. ''Vai ser apontado um relator que terá 15 dias para apresentar o parecer. Se a decisão for pela cassação, o processo vai para plenário'', relata. A votação em plenário é secreta e deve ser por maioria absoluta dos parlamentares.
Além do pedido de impeachment feito pelo PV, Justus e Curi também enfrentam uma ação civil pública movida pelo Ministério Público e que pede, liminarmente, o afastamento de ambos da Assembleia Legislativa.


