As novas acusações envolvendo a operação de socorro ao banco Marka pode impulsionar os partidos de oposição a aprovar a CPI da Corrupção no Senado. Ontem, o presidente nacional interino do PT, deputado José Genoino (SP), disse que a denúncia feita pela revista ‘‘Veja’’ é mais grave do que as outras 19 que motivaram o requerimento de instalação de uma CPI mista para investigar corrupção – e que acabou inviabilizada por ação do Palácio do Planalto.
Ontem à noite, Genoino reuniu-se com integrantes da direção nacional do partido para avaliar o caso. Hoje, às 11 horas, os dirigentes do PT ampliam a discussão, reunindo-se com dirigentes de outras siglas de oposição. Até ontem, os oposicionistas já haviam coletado 22 assinaturas para a CPI – são necessárias, no mínimo, 27. O PPS, com três senadores, resolveu esperar o julgamento de quarta-feira, pelo Conselho de Ética, de ACM e do senador José Roberto Arruda, antes de assinar formalmente o requerimento de CPI.
‘‘As outras (denúncias) atingiam as bordas do governo; esta pega o seu coração, que é a política econômica’’, afirmou Genoino, dizendo-se apreensivo com a possibilidade de agravamento da crise política. ‘‘Não queremos a deterioração do País e, nesse momento de fragilidade, a perda de credibilidade do Banco Central é extremamente grave’’, afirmou, observando que a crise política na Argentina começou com denúncias contra o BC daquele país.
Genoino disse ainda que a oposição não foi responsável por essa denúncia – nem pelas outras apontadas no requerimento da CPI – mas não pode silenciar diante de um assunto dessa gravidade. Ele afirmou que quer conversar com integrantes da base de sustentação política do governo para negociar uma forma de apurar a denúncia com tranquilidade, mas se queixou da maneira com que alguns líderes governistas tratam a oposição nesse caso. ‘‘O governo tem de abrir o jogo’’, defendeu.

mockup