Há nove anos o Congresso tem conhecimento de ‘‘negociatas’’, fatos ‘‘delituosos’’ e concorrências ‘‘fraudulentas’’ envolvendo o presidente do Senado, senador Jader Barbalho (PMDB-PA), mas até hoje não investigou as denúncias. Em 1992, a Câmara dos Deputados recolheu 231 assinaturas para a instalação de uma CPI para investigar denúncias envolvendo Jader, no período que foi ministro da Reforma Agrária (1987/1988) e da Previdência Social (1989/1990).
Apesar do número de assinaturas – bastariam 171 – o pedido de CPI se arrasta até hoje na Câmara, onde tramitou por 22 lugares diferentes, entre comissões, mesa e plenário. Na lista dos parlamentares que assinaram o pedido de criação de CPI para investigar Jader aparece o nome de Florestan Fernandes, amigo do presidente Fernando Henrique, e de Geraldo Alckmin Filho, atual governador de São Paulo. Aparecem até os nomes de algumas pessoas que hoje são amigas de Jader.
O pedido de CPI chegou a ser arquivado em 1995, mas foi desarquivado no mesmo ano. Nos computadores da Câmara, consta que o pedido está nas mãos de um deputado que foi afastado do cargo. No próprio projeto de resolução para criar a CPI, há listas de irregularidades envolvendo Jader. Na Reforma Agrária, diz o projeto, Jader adquiriu de forma ‘‘amigável’’ terras privadas; comprou 1 milhão de hectares e emitiu Títulos da Dívida Agrária (TDAs) com prazo ‘‘meteórico’’ de resgate, de cinco anos, quando o normal seriam até 20 anos.
Jader é acusado também de beneficiar algumas famílias paraenses. Segundo o projeto de resolução, um único proprietário de terras chegava a ter até cinco fazendas desapropriadas. Uma delas é a família Mutran, de Marabá (PA), diz o documento, que vendeu propriedades rurais ao governo.
Na Previdência Social, Jader deixou um rastro ainda maior de denúncias. Ele foi acusado de ‘‘favorecer adquirentes e intermediários’’ na venda de imóveis da União. Há o registro de uma permuta considerada ‘‘escandalosa’’ pelo próprio governo, segundo o projeto de resolução, em que Jader autorizou a troca de ‘‘valiosos imóveis’’ da Previdência por outros ‘‘de menor valor’’.
O atual presidente do Senado morava em casa humilde, em Belém, e enriqueceu após entrar na política.

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