O relator da CPI dos Títulos Públicos, senador Roberto Requião (PMDB), pediu ontem ao Banco Central a instalação de uma auditoria junto aos fundos de investimentos do Banestado, Bradesco e Multiplic, para a avaliar um possível prejuízo de seus correntistas. Criticado por seu comportamento na tomada de depoimentos, anteontem, de dirigentes do Banestado, Requião voltou a acusar o banco de ter favorecido um lucro de aproximadamente R$ 30 milhões às corretoras laranjas ao operar no mercado com títulos dos Estados de Alagoas e Pernambuco e das prefeituras de Osasco e Guarulhos.
O relator diz que a CPI está aguardando uma manifestação da direção do Banestado sobre as denúncias formuladas pelo senador Romeu Tuma (PFL-SP), na sessão de segunda-feira, de que o banco do Paraná está envolvido no esquema de lavagem do dinheiro. Durante a inquirição dos dirigentes do banco, Tuma qualificou o Banestado de ‘‘a segunda maior lavanderia de dinheiro da fronteira’’. O senador apurou em sua investigação do esquema de lavagem, em Foz do Iguaçu, que passaram pelo Banestado na fronteira R$ 290,1 milhões num curto período de tempo. Também antecipou que a agência do banco na Avenida Paulista, em São Paulo, foi responsável por uma movimentação de R$ 27 milhões vindos da corretora IBF.
Requião respondeu ao contra-ataque do Palácio Iguaçu - de que durante o seu governo também foram feitas operações, avaliadas em R$ 359 milhões, com títulos públicos do Estado de Goiás - dizendo que as operações não foram feitas com as corretoras que estão sob a suspeição do Senado. ‘‘Quanto à liquidez desses títulos, é bom lembrar que Goiás tem hoje a oitava economia entre os Estados brasileiros, ao contrário de Alagoas, que há seis meses não paga os salários de seus funcionários’’, reage.
Requião acusou ainda a direção do Banestado de ter promovido operações com títulos públicos depois de instaurada a CPI dos Precatórios. O que, para ele, foi uma ‘‘afronta’’ ao Senado.
Vantajosa O chefe da Casa Civil, Giovani Gionédis, admitiu ontem que Banestado fez uma nova operação com Alagoas, em janeiro deste ano. Segundo ele, não houve compra de papéis, ‘‘mas troca de títulos equivalentes a R$ 8 milhões e com um deságio de 50%’’. ‘‘Garantimos melhores taxas e um deságio mais vantajoso’’, garante.
Gionédis adiantou que o Banestado fará uma auditoria para investigar as denúncias feitas pelo senador Romeu Tuma, anteontem. ‘‘A questão é bem mais complexa e precisamos saber com mais detalhes se esse dinheiro retornou ou não ao Brasil’’, explicou.
O secretário contesta o prejuízo de R$ 30 milhões alegado pelo relator da CPI dos Precatórios e diz que a instituição registrou um saldo positivo de R$ 22,8 milhões. Para ele, a compra de títulos a um preço inferior aos valores fixados pelos Estados, no mercado secundário, deve-se ‘‘à falta de uma política do Banco Central de tornar pública toda a cadeia financeira envolvida nas operações dos títulos públicos’’. ‘‘Poderíamos ter tido um rendimento maior com esses títulos se o Banco Central divulgasse todos os envolvidos no processo’’, diz o chefe da Casa Civil.

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