Pedetistas vaiam Lula no velório de Brizola
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terça-feira, 22 de junho de 2004
Agência Estado 
Rio de Janeiro - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi vaiado ontem por um grupo de manifestantes pedetistas durante os minutos que ficou no Salão Nobre do Palácio Guanabara, sede do governo do Estado do Rio de Janeiro, onde está sendo velado o corpo do presidente do PDT e ex-governador do Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro Leonel Brizola, que morreu anteontem à noite, aos 82 anos.
Segundo estimativa do major Seabra, comandante da 1 Companhia Independente da Polícia Militar, 200 mil pessoas estiveram no velório até as 17h30. Não havia nenhum esquema especial de segurança por causa da presença do presidente, como cordão de isolamento. Os mais rebeldes aproximaram-se de Lula, com bandeiras e pôsteres de Brizola nas mãos. Filhos e netos do ex-governador ajudaram a formar um cordão em volta do caixão do líder pedetista.
O presidente Lula ficou o tempo todo ao lado da filha de Brizola, Neuzinha e cumprimentou os outros dois filhos de Brizola, José Vicente e João Otávio. Atrás de Lula, o chefe da Casa Civil, José Dirceu, ficou imóvel. Saiu, acompanhando o presidente, sem conseguir cumprimentar os parentes do líder pedetista.
Quando o presidente Lula entrou no salão, algumas pessoas presentes ensaiaram aplausos, mas às vaias somaram-se os insultos. ''Lula traidor'', ''Lula cachaceiro, Brizola brasileiro'' foram os primeiros xingamentos. Em seguida, vieram os versos de um samba que ficou famoso na voz da pedetista Beth Carvalho: ''Você pagou por traição a quem sempre lhe deu a mão''. Finalmente, os pedetistas gritaram em coro: ''Renúncia, renúncia!'' Às 13h31, o presidente deixou o salão. Na confusão, derrubou até a coroa de flores, que ele mesmo enviou, com os dizeres: ''Nossa homenagem ao Brasil e o seu povo.''
Além de Lula, os brizolistas também hostilizaram com gritos de ''traidor'', o ex-governador Anthony Garotinho (PMDB) e o prefeito do Rio, Cesar Maia (PFL). Para se despedirem do líder, cantaram o Hino da Independência e o jingle da campanha presidencial de Brizola de 1989.
Até as 18h30, o velório de Brizola teve a presença de sete ministros e quatro governadores - além de Rosinha Matheus, os tucanos Geraldo Alckmin e Aécio Neves e o peemedebista Joaquim Roriz. As vaias ainda ecoavam no Salão Nobre quando entrou o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes. ''Há aqui pessoas apaixonadas e chocadas com a morte de Brizola. Mas voltando para casa elas vão perceber a grosseria que fizeram com o presidente e o próprio Brizola.'', disse Ciro Gomes.
Brigado com o pai desde 2000, o filho mais velho de Brizola, José Vicente, lamentou o afastamento e prometeu voltar ao PDT, partido que deixou para se filiar ao PT. ''Estou arrependido do que fiz.''
O presidente do PDT em São Paulo, Paulo Pereira da Silva, não se surpreendeu com o protesto. ''Essa manifestação é reflexo da traição do Lula não só com o Brizola, mas também com o povo brasileiro. É natural que ele seja maltratado.''
Hoje, o caixão será levado para o Centro Integrado de Educação Pública (Ciep), no bairro do Catete, o primeiro que ele ergueu, em 1985. Em seguida, segue para Porto Alegre, onde será velado no Palácio Piratini, sede do governo gaúcho. De lá, o corpo segue para São Borja. Às 15 horas, está marcada uma cerimônia religiosa no cemitério municipal da cidade. O enterro está marcado para as 16 horas.


