Pedetistas temem que Brizola exija oposição a Lerner
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de abril de 1997
Leandro Donatti Sucursal de Curitiba 
A direção estadual do PDT vai conversar nesta semana com o presidente da executiva nacional, o ex-governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola, para definir qual será a linha do partido no Paraná depois que o governador Jaime Lerner oficializar seu desligamento do partido. Os pedetistas que não pretendem acompanhar o governador e permanecer com a sigla estão com receio de que Brizola exija uma postura de oposição ao governador.
O presidente do diretório, José Francisco Pereira, e o vice-prefeito de Curitiba, Algaci Túlio, estão organizando a comitiva que vai sondar Brizola. Eles querem a garantia que o PDT do Paraná continuará aliado de Lerner, mesmo que a sua opção recaia sobre o PSDB ou PFL (com mais certeza para a sigla tucana), partidos que dão sustentação ao governo federal.
O temor de Pereira e de Túlio é que a saída de Lerner provoque mágoas e, em consequência, desperte a ira de Brizola. Não queremos uma convenção forçada que substitua os atuais nomes da nossa executiva, confessou o vice. Para ele, o mais conveniente mesmo seria o governador Jaime Lerner se filiar ao PTB. São siglas com a mesma origem, o que facilitaria o relacionamento e não traria tantos traumas, explicou. Lerner não cogita ingresso no PTB.
Decisão pessoalO diretório do PDT não quer interferir no futuro partidário do governador. A direção entende que se trata de uma decisão pessoal e irreversível. É natural que muitos filiados o acompanharão na troca, mas isso não vai esvaziar o PDT no Paraná, acredita Pereira.
O presidente regional avalia ainda que os motivos alegados por alguns interlocutores de Lerner, para a sua mudança, não são preocupantes. O pouco tempo do PDT no horário gratuito pode ter solução com uma ampla aliança, nos mesmos moldes da firmada na disputa eleitoral do ano passado, exemplifica.
Pereira diz que nem a postura de oposição do PDT nacional diante do governo federal representaria um entrave para a permanência de Lerner no partido. A candidatura de Brizola à presidência da República, em 94, não intimidou Lerner a emprestar apoio ao presidente Fernando Henrique, comparou.


