Os candidatos ao governo do Estado que disputarão o segundo turno, o pefelista César Maia e o pedetista Anthony Garotinho, deixaram claro ontem que vão usar todas as cartas na manga para a conquista dos eleitores dos tucanos, vice-governador Luiz Paulo Corrêa da Rocha e o presidente Fernando Henrique Cardoso. Maia (foto) e Garotinho garantiram que vão negociar com o PSDB em busca de apoio. Ambos disseram que vão dar continuidade às obras do governador Marcello Alencar (PSDB) e do candidato do partido, que ficou em terceiro lugar com 15 51%.
Assumindo um discurso moderado, o pedetista, candidato dos partidos que fazem oposição (PDT-PT-PC do B-PSB e PCB) ao governo federal, chegou a dizer que, em caso de sair vitorioso no segundo turno, o presidente poderá contar com ele para que haja uma intregração das duas administrações, federal e estadual. Por sua vez, César Maia surpreendeu ao dizer que pretende convidar o ministro da Sáude, José Serra -, um dos ministros mais populares de Fernando Henrique, mas que há pouco tempo era seu desafeto político -, para gravar uma participação em seu programa eleitoral. O pefelista também quer a participação do presidente no horário eleitoral.
Garotinho pediu neutralidade de Fernando Henrique na disputa no Rio. ‘‘Eu espero ele se mantenha presidente de todos os brasileiros, ele não pode ser presidente de quem só quem votou nele. Seria incômodo ele vir ao Rio apoiar César Maia, depois do que os ministros falaram do César Maia’’, disse Garotinho, lembrando dos atritos do pefelista com Serra e o ministro da Educação, Paulo Renato Souza.
No primeiro turno, o pefelista protagonizou um tiroteio verbal com os ministros. Ele chegou acusar Serra de estar interferindo de forma negativa no processo eleitoral do Rio de Janeiro.
‘‘Eu acho que o presidente deve ganhar a eleição, cuidar da crise econômica que é séria e deixar que cada povo escolha soberanamente o seu governador’’, declarou Garotinho. O pedetista no entanto, salientou que mantém-se crítico ao governo federal no que diz respeito às políticas cambial e de juros.
Na tentativa de ganhar apoio explícito de Fernando Henrique no segundo turno, Maia disse que a adesão do presidente à sua candidatura nesta etapa é ‘‘fundamental’’ para viabilizar as políticas públicas que pretende implementar no Rio, caso seja eleito. Segundo ele, as críticas que tem feito ao governo - em relação, por exemplo, à possibilidade de aumento de impostos - servem justamente para melhorar a administração federal. Ele lembrou que até mesmo o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, cacique do PFL, apontou erros do governo federal no ano passado, depois do anúncio do pacote 51, motivado pela crise da Ásia. Na época, a equipe econômica anunciou medidas duras, entre elas aumento da alíquota de Imposto de Renda. (AE)

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