Curitiba - O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) lançou ontem, em Curitiba, a campanha pela Educação Já. Nos moldes de movimentos populares, como Diretas Já e Impeachment Já, Buarque quer angariar a simpatia da população brasileira para impulsionar uma revolução educacional no país. A idéia é federalizar a educação básica fazendo com que a União tome a responsabilidade de garantir uma educação integral, de qualidade e universal. Conforme a proposta de Buarque, os professores teriam que ser selecionados por concurso e teriam garantido um piso salarial pago pelas prefeituras com complemento federal. A gestão seria feita pelos municípios com base na Lei de Metas e de Responsabilidade Social com a Educação - que poderia prever a inelegibilidade dos governantes municipais que não aplicassem as metas estabelecidas nacionalmente.
O Educação Já prevê que no primeiro ano, o governo federal deveria investir R$ 7 bilhões a mais para implementação do projeto - que já foi apresentado ao Ministério da Educação (MEC) como uma forma de colaboração do PDT ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na avaliação de Buarque, que já foi ministro de Lula, falta vontade política para que o governo pense em garantir educação básica com qualidade para todos. ''Investir em universidade dá voto. Em educação básica não.'' Dos recursos do MEC, R$ 14 bilhões são investidos em universidades e R$ 4 bilhões em escolas técnicas. Apenas R$ 6 bilhões são investidos em educação de base.
''Queremos educação já. Todo brasileiro precisa ter a mesma chance. Os professores têm que ser bem remunerados e contar com equipamentos modernos. A educação de base nas mãos dos municípios é o grande gargalo educacional brasileiro. Precisamos de um projeto nacional com responsabilidade social para mudar o quadro social'', declarou. Buarque lançou a campanha em Fortaleza e Curitiba. Agora ele vai percorrer os municípios de Belo Horizonte, Mariana (interior de Minas Gerais), Florianópolis e Goiânia.
''Se investirmos em educação básica, deixaremos de investir em outros locais como no sistema penitenciário. A violência tem sua causa na falta de oportunidades. Até de estudo. Podemos reverter isso'', ponderou. Buarque não aponta a fonte de recursos para que o projeto fosse implementado. No entanto, lembrou que R$ 7 bilhões representam menos de 1% do orçamento do governo federal. O Plano Nacional de Educação, preconizado por Buarque, prevê também edificação e equipamentos, e conteúdos mínimos a serem desenvolvidos em sala de aula, totalizando investimentos de R$ 7 bilhões. ''Hoje, 22 mil escolas públicas não têm banheiros, luz ou água. Não é possível isso continuar assim.''
Buarque acredita que o plano precisa ser de longo prazo. Um projeto de lei sobre o plano chegou a ser desenvolvido e encaminhado para a Casa Civil, mas foi engavetado pelo governo Lula. ''Não se faz nada em educação neste País, se o povo não for para a rua. Se o presidente não quiser, nada se faz no Brasil'', exemplificou.

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