Pedágio sob a mira
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terça-feira, 12 de fevereiro de 2019
Luiz Geraldo Mazza 
Pedágio sob a mira
Recentes decisões que beneficiaram Beto Richa e sua equipe, sob proteção de salvo conduto do STJ, que interdita nova prisão, não impediram que Ministério Público e Justiça voltassem à carga restabelecendo a denúncia no caso da "Integração" referente às anomalias detectadas e formalmente caracterizadas, em delações e material probatório das pedagiadas. Da maneira como estava o "modus vivendi" entre governo e concessionárias, tudo aparentava normalidade até a Lava Jato puncionar o que parecia aos procuradores um furúnculo infectado e carecendo de drenagem para evitar um choque maior.
Como já disse anteriormente, ainda que a investigação se refira especificamente ao Paraná, o impacto e porte das denúncias colocam o modelo (que aparenta ser o único para o problema da infraestrutura rodoviária, já que o governo carece de recursos para voltar à função) sob revisão até porque, como em nosso caso em especial, os contratos estão prestes a expirar e não era pequena a pressão de alguns agentes por sua prorrogação contra a vontade expressa do presidente da Federação das Indústrias do Paraná, que botou a boca no trombone contra a mínima concessão e argumentando que se tratava de um dos pontos de estrangulamento de nossa economia, com peso preponderante nos custos de produção.
Estabelecido o contraditório no processo judicial com as restrições arguidas no STJ e STF, o fluxo judicial tem a necessária continuidade para que tudo se esclareça, posto que denúncias contra o ex-governador não se limitem a essa pendência, já que existem outras tantas na área estadual com, as operações "Quadro Negro" e a Rádio Patrulha, do programa Patrulha Rural.
Impunidade
Entre as ingenuidades cultuadas pelas ações desenvolvidas na República de Curitiba havia a ideia de que a impunidade no Brasil estaria com os dias contados. Paralelamente aos feitos da Lava Jato tivemos, por exemplo, a vergonheira do episódio da ruptura da barragem de Mariana, com dimensões menores ao mais recente de Brumadinho. Naquele caso ocorrido há três anos a apontada como responsável, a Samarco, exerce o seu amplo direito de defesa e não existe uma perspectiva, dadas as delongas ritualísticas do processo, de decisão próxima, o que se dará também necessariamente com a avalanche que ainda domina o noticiário.
Parece que a tragédia está em nosso calendário: quando não é a barragem que se rompe, reveladora da desídia pública em assunto dominantemente de sua responsabilidade, é algo também inaceitável pela ausência de um mínimo de previsibilidade como esse do Centro de Treinamento do Flamengo com a morte de dez adolescentes e referências aos choques entre a prefeitura e o clube relativamente a alvarás, licenciamento do Corpo de Bombeiros e até de atos interditórios ao funcionamento.
A impressão que se colhe de episódios tão significativos é que existe no país uma cultura mórbida de cumplicidade, com o risco e a confiança aberta na impunidade. Tanto nos casos da Lava Jato com as grandes empreiteiras como nos de agora se falará em presunção de inocência como peça-chave de defesa e o cenário persistirá sem a marca da culpa, da imprevisão e ficará marcante o signo da impunidade.
Marxismo cultural
Fala-se muito em marxismo cultural, mas o que se dá, no Brasil, em termos de pensamento, parece brotar mais do Groucho, pelo que tem de non sense, do que do abominado Karl.
Bronca igual
A questão do emprego da massificação das mensagens nas redes sociais já foi amplamente abordada tanto na eleição norte-americana quanto na nossa, nos dois casos privilegiando o ganhador. Agora executivos do WhatsApp na Índia estão acusando tanto governistas como oposicionistas de abuso na área e voltado para as próximas eleições, que serão realizadas entre abril e maio.
Agora laranjas
Não bastassem os problemas no Coaf com o assessor de Flávio Bolsonaro e as referências a relacionamentos com milícias, temos agora o festival eleitoral com mulheres laranja feito pelo PSL. O caso incrível é de uma delas (Maria de Lourdes Paixão, 68), que fez apenas 274 votos apesar de ter recebido R$ 400 mil do Fundo Partidário, tudo atribuído a Luciano Bivar, cacique mor do partido. Comentário de Eduardo Bolsonaro, deputado federal, PSL-SP: "é mais uma facada que ele leva". Já havia o caso do ministro de Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, que montou um esquema de candidaturas de fachada de mulheres que juntas não renderam dois mil votos. Do hospital o presidente cobrou da Polícia Federal sobre investigação da facada, aquela que o atingiu gravemente, e não essa referida pelo filho mais novo.
Folclore
O ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodriguez, usou metáfora pesada para criticar brasileiros, chamando-os de canibais. Aqui na capital pegaram no pé do time de futebol Colorado (hoje Paraná), tido como boca negra que se atribuía tratar-se de tribo antropófaga. O diretor do time, craque em arte publicitária, Zeno José Otto, produziu um indiozinho parecido com o curumim da Rede de TV Tupi, carinha pura, angelical, ossinho transfixando o nariz, para atenuar o peso da revelação. Não comia gente e era lindinho.


