Pedágio representa até 11% do faturamento das empresas
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sábado, 06 de outubro de 2007
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Empresas paranaenses que atuam no transporte de cargas já gastam até 11% do seu faturamento só com o pagamento de tarifas de pedágio. A afirmação é do presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Estado do Paraná (Setcepar), Fernando Klein Nunes, que falou com a Reportagem às vésperas da data inicialmente marcada pela Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT) - 9 de outubro - para a realização do leilão que prevê a concessão de sete novos trechos de rodovias federais à iniciativa privada.
Nunes afirma que o Setcepar se posiciona contra os novos pedágios, pois os valores da Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico (Cide), tipo de imposto embutido no combustível, já deveriam ser destinados à manutenção das estradas. ''A Cide arrecada R$ 8 bilhões por ano para as estradas, mas está sendo desviada para outros fins sistematicamente, como a CPMF. É um crime. Enquanto houver a Cide não concordamos com o pedágio'', afirmou Nunes.
Já o assessor da diretoria da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) Carlos Augusto Albuquerque disse que, ''em princípio'', não é contra o pedágio. O problema, segundo ele, é o valor da tarifa. ''Não somos contra o pedágio porque achamos que os governos não têm condições de fazer a manutenção das estradas. É claro que o pedágio não é a melhor solução, mas não dá certo quando os governos se metem. O problema é que, em comparação a outros países, o Brasil paga muito caro pelo pedágio'', reclamou Albuquerque.
Estudo realizado no mês de setembro pelo Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) sobre o impacto das 27 praças de pedágio já existentes nas rodovias estaduais no transporte de grãos e insumos concluiu que os valores cobrados estão ''pesados'' em especial para o setor da agricultura. O superintendente adjunto do Ocepar, Nelson Costa, explica que pelo fato do preço do produto no setor da agricultura ser baixo, em comparação ao setor industrial, por exemplo, ''o pedágio ficou mais oneroso''.
Costa informou que o Ocepar já apresentou o estudo aos membros da Comissão Especial de Investigação (CEI) da Assembléia Legislativa do Paraná que trata do pedágio. ''Nós falamos na CEI que a nossa sugestão é que o setor da agricultura tenha um tratamento diferenciado'', disse Costa, ressaltando que o Ocepar também não é contra às parcerias público-privadas, mas que o valor das tarifas ''tem que ser condizente com a realidade''.
Ele preferiu não comentar, no entanto, sobre o leilão da ANTT, que prevê tarifas básicas máximas para os lotes 2, 6 e 7 (que compreendem trechos de rodovias federais que cortam o Paraná) de R$ 4,18, R$ 2,68 e R$ 2,65, respectivamente. Costa informou que vai aguardar a implantação dos pedágios antes de se manifestar.
Os membros da CEI querem descobrir se há, de fato, abuso nos valores cobrados pelas concessionárias de pedágio no Paraná. O objetivo, também, é encontrar meios para baixar as tarifas. Durante a última reunião da CEI, dia 3, representantes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) destacaram a redução do número de vítimas de acidentes desde a concessão às empresas de pedágio. O fato, segundo a PRF, é consequência da melhoria da infra-estrutura das vias.


