Curitiba - Na segunda quinzena do mês que vem, as concessionárias de pedágio já devem ter em mãos o índice de reajuste que será aplicado nas 26 praças do Estado. Pelo contrato firmado há sete anos durante o governo Jaime Lerner (PSB), as concessionárias podem realizar reajustes unilateralmente a partir do dia 1º de dezembro de cada ano.
A possibilidade de reajuste é garantia de mais munição no tiroteio travado entre as seis empresas que exploram o pedágio e o governador Roberto Requião (PMDB), que desde a sua campanha eleitoral no ano passado vem prometendo que ''o pedágio baixa ou acaba''. Atualmente, o Palácio Iguaçu vem tentando pressionar as concessionárias a reduzir o preço com dois argumentos: ameaçando encampar as praças de pedágio e realizando uma auditoria para verificar se a contabilidade das concessionárias bate com a divulgada por elas em seus balancetes.
Até o momento, as concessionárias vêm adotando uma postura cautelosa. O presidente da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR) no Paraná, João Chiminazzo Neto, prefere não comentar se as tarifas serão efetivamente reajustadas, e de quanto seria a majoração. ''É prematuro para discutir esse assunto. Os índices que são utilizados como base para o reajuste previsto no contrato ainda não foram divulgados'', afirmou. Até agora, a única iniciativa da ABCR foi contratar a GV Consult, braço da Fundação Getúlio Vargas (FGV), para realizar um levantamento de quanto seriam os gastos do governo estadual com uma susposta encampação do pedágio. Segundo o levantamento, o gasto seria da ordem de R$ 4 bilhões, quantia proibitiva para o orçamento estadual.
O consultor jurídico do governo estadual, Pedro Henrique Xavier, contesta o levantamento da GV Consult. ''Esse levantamento de nada serve para o estudo da encampação. Eles levaram em conta a proposta comercial que foi estabelecida na assinatura do contrato. É um cálculo simples, que pode ser feito em 15 dias. A auditoria realizada pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) leva em consideração o equilíbrio financeiro do contrato. Queremos ver a quantidade de carros que circulam pelas praças, o quanto foi efetivamente gasto em investimentos, enfim, o retrato real da situação do pedágio'', diz Xavier.

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