Curitiba O governador Roberto Requião (PMDB) encerra o seu primeiro ano de governo com o pedágio na berlinda. O compromisso de campanha de baixar as tarifas ou acabar com a cobrança atingiu por enquanto apenas uma das seis concessionárias, a Caminhos do Paraná.
Após exaustivas rodadas de negociações, o governo anunciou um acordo com a Caminhos do Paraná. A empresa comprometeu-se a reduzir em 30% as tarifas, mas em contrapartida começou a cobrar pedágio na praça da Lapa e vai cortar obras.
No discurso que fez na abertura dos trabalhos da Assembléia Legislativa, no dia 17 de fevereiro, Requião que havia anulado o contrato de acionistas feito pelo governo Jaime Lerner (PSB) com a Sanepar atacou o pedágio. Disse que os contratos firmados pela gestão anterior com as concessionárias eram débeis e inconsistentes.
O pedágio consumiu horas de trabalho do primeiro escalão, em busca de falhas nos contratos. O procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda; o secretário dos Transportes; Waldyr Pugliesi; e o chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, estiveram debruçados sobre o assunto durante o ano todo, além do próprio governador.
A batalha contra os transgênicos foi outro destaque de 2003. Requião assumiu posição contrária aos organismos geneticamente modificados. Ele não quer que os produtores paranaenses tenham que pagar royalties à multinacional Monsanto pelo uso da tecnologia. Requião quer também manter o mercado comprador da soja convencional produzida no Estado.
A Assembléia aprovou há cerca de três meses uma lei proibindo o plantio e a comercialização dos transgênicos no Estado. A lei número 14.162 foi sancionada pelo governador, mas no dia 10 de dezembro o Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu liminar suspendendo os efeitos da lei, em ação direta de inconstitucionalidade encaminhada pelo PFL. E quatro dias depois o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou a lei federal que regulamenta os transgênicos no País.
Em relação à gestão do ex-governador Jaime Lerner (PSB), seu adversário político, Requião não poupou críticas, principalmente no primeiro semestre. O governador cancelou uma série de contratos considerados irregulares na área de informática. No dia 6 de janeiro, decretou moratória de 90 dias para organizar as finanças públicas. Requião divulgou que herdou uma dívida total de R$ 20 bilhões do governo anterior.
O governador do PMDB dedicou este primeiro ano também à inclusão social. O governador considera a inclusão social um dos pilares do desenvolvimento, e delineou seus programas dentro desse conceito.
Um dos programas mais importantes do governo, o Leite das Crianças, foi lançado em maio com um duplo objetivo: combater a desnutrição infantil e estimular a cadeia produtiva de leite no Estado, pois o leite é fornecido pelos produtores locais de cada município beneficiado pelo programa.
Em 2003, o Leite das Crianças alcançou 60 mil crianças de cem dos 399 municípios do Estado. A meta é beneficiar 160 mil famílias carentes. As famílias com renda inferior a meio salário mínimo (o equivalente a R$ 120,00) e que tenham crianças entre seis meses e três anos, têm direito a receber até dois litros de leite por dia.

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