Deputados estaduais defenderam ontem o reajuste na tarifa do pedágio nas estradas do Paraná. O argumento do líder do governo na Assembléia, Valdir Rossoni (PTB), é a necessidade da retomada das obras de duplicação das rodovias que fazem parte do Anel de Integração. Elas estão paralisadas desde o ano passado, quando o governo, durante a campanha eleitoral, reduziu em 50% o preço do pedágio.
‘‘Mesmo que haja aumento de 100%, temos que chegar a um acordo para que as obras paradas sejam retomadas’’, reivindicou Rossoni. A defesa do aumento do preço do pedágio já havia sido feita pelo deputado Divanir Braz Palma (PPB). O presidente da Assembléia, Aníbal Khury (PFL), também disse recentemente achar natural o reajuste e afirmou que a redução, no ano passado, foi feita para que o governador Jaime Lerner (PFL) vencesse as eleições.
Ontem à noite, os aliados teriam uma reunião com Lerner e com o chefe da Casa Civil, Pretextato Taborda Ribas, para discutir itens relacionados ao andamento das questões políticas do Estado. Um dos principais assuntos da pauta seria o pedágio. Rossoni disse que os deputados querem que alguma medida urgente seja tomada para resolver o impasse do reajuste das tarifas.
O secretário de Estado dos Transportes, Heinz Herwig, disse que deverá concluir hoje as negociações com as empresas concessionárias. Segundo ele, o governo reivindica a retomada imediata das obras e a priorização das duplicações das principais estradas do Anel de Integração. ‘‘Precisamos de uma série de obras a curto prazo e queremos que algumas duplicações sejam feitas ainda neste governo’’, afirmou. Apesar da definição ser feita apenas hoje, Herwig já adiantou que o governo não conseguirá fugir do reajuste. ‘‘Só é possível reivindicar as obras se tiver aumento de pedágio’’, argumentou. O estudo encomendado pelo Estado prevê aumentos de 50 a 100% nos diversos postos de pedágio do Paraná.
O diretor regional da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias, Washington Lemos Filho, disse que o governo não quer dar reajustes de 100% nas tarifas do pedágio. Por esta razão, as concessionárias não teriam como realizar todas as obras pretendidas pelo Estado, a curto prazo. ‘‘Com uma tarifa mais baixa do que a anterior, teremos de estudar o cronograma de obras para não haver atropelos’’.
Caso o Estado não consiga chegar a um consenso com as concessionárias, Herwig disse que deixará que o caso seja discutido na Justiça. E é isto que os deputados querem impedir. ‘‘Não podemos admitir demoras, temos que decidir logo esta questão, antes que as rodovias voltem a ficar no estado que estavam antes da privatização’’, argumentou Rossoni.
Além do pedágio, Rossoni disse que os deputados também tratariam, no encontro com Lerner, de questões políticas. Ele não quis adiantar quais assuntos entrariam na pauta do encontro. (Colaborou Dimitri do Valle)

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