Pedágio de manutenção divide caminhoneiros
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quinta-feira, 01 de abril de 2004
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A possível instalação de duas praças de pedágio entre Maringá e Francisco Alves pelo governo do Estado (97 quilômetros a sudoeste de Umuarama) dividiu as opiniões dos representantes dos sindicatos que representam os caminhoneiros e transportadores da região. Pela proposta apresentada pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER), seria cobrado um pedágio de manutenção em um trecho de 218 quilômetros da PR-323. A tarifa seria de R$ 2 para veículos de passeio e R$ 1,25 por eixo para caminhões.
Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários Autônomos de Bens de Maringá, Osvaldo Reginato, o pedágio pode ser uma boa alternativa. ''Claro que ninguém gosta de pagar, mas se o preço for baixo como esse, pode ser uma boa alternativa. A condição das estradas pedagiadas é muito melhor do que a do resto da malha do Estado. Eu tenho um caminhão que faz cinco vezes por semana o trajeto Curitiba-Londrina, e desde que a estrada foi recuperada a minha economia com tempo e manutenção foi grande'', destacou ele.
Para Reginato, a condição da estrada PR-323 atualmente é boa, mas existem pontos críticos. ''Tem um trecho perto de Paiçandu que é um desespero. É pista simples, com vários quebra-molas. A gente leva uma hora para percorrer um trecho de 20 quilômetros se der o azar de pegar um caminhão lento no caminho, porque é proibido ultrapassar. Se a estrada for duplicada, como quer o governo, a situação pode melhorar bastante'', afirmou Reginato.
Já o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas de Maringá (Setcamar), Reinaldo Gabriel Neto, discorda da cobrança. ''A estrada realmente precisa de melhorias. Mas não sei se o pedágio é a solução. Quando o governo Jaime Lerner (PSB) criou o Anel de Integração e começou a cobrança do pedágio, foi dito que os recursos que seriam gastos naquelas rodovias passariam a ser destinados para as rodovias estaduais e vicinais. Quer dizer, já devia ter caixa para realizar as melhorias sem precisar cobrar dos motoristas'', acredita Reinaldo Neto.
Segundo o diretor-geral do DER, Rogério Tizzot, a instalação das praças de pedágio ainda não está definida. ''Nós temos o estudo que mostra que o pedágio pode ser muito mais barato do que o cobrado atualmente. Mas podemos achar alternativas orçamentárias que dispensem até mesmo a cobrança'', destacou Tizzot.
A ausência de repasse de recursos da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), o chamado imposto do combustível, é um dos motivos que pode levar à cobrança. ''Até agora, não recebemos o repasse da Cide que o governo federal nos deve. Se esse pagamento começar a ser encaminhado, a restauração das rodovias pode ser feita sem a cobrança de pedágio'', afirmou Tizzot.


