Curitiba - Os 54 deputados estaduais começam apreensivos a última semana antes do recesso parlamentar. Está nas mãos da Assembléia Legislativa um dos principais compromissos de campanha do governador Roberto Requião (PMDB): ‘‘desatar o nó do pedágio’’. Como manda a lei, o governo depende da autorização do Poder Legislativo para encampar as rodovias pedagiadas no Anel de Integração.
  As seis concessionárias defendem seus interesses como podem. As empresas notificaram extrajudicialmente a Assembléia, alegando que os pedidos de encampação do governo são ‘‘inconsistentes’’ e que os deputados podem ser responsabilizados, junto com o governo do Paraná, pelas conseqüências da encampação sem uma previsão de recursos orçamentários. A mesma notificação foi encaminhada ao governo federal – que cedeu ao Paraná cerca de 75% dos 2,4 mil quilômetros de trechos pedagiados – e à Procuradoria-Geral do Estado (PGE).
  Para o líder governista, Angelo Vanhoni (PT), as empresas estão ‘‘forçando a barra’’. Já o deputado oposicionista Ademar Traiano (PSDB) considera que a notificação precisa ser ‘‘olhada com atenção’’. ‘‘Cabe a cada parlamentar ter o cuidado de analisar’’, disse Traiano. Requião classificou como uma tentativa de ameaça ao Legislativo. ‘‘As concessionárias não querem largar o osso e agora estão ameaçando os deputados’’, acusou o governador.
  Nas últimas semanas, o pedágio tem dominado as atenções na Casa. A presença dos deputados nas sessões foi grande. A maioria (74%) compareceu a pelo menos 11 das 15 sessões de maio. O levantamento foi realizado em parceria pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Folha de Londrina. Apenas cinco dos 54 participaram de todas: Natalio Stica (PT), Edson Praczyck (PL), Barbosa Neto (PDT), Antonio Anibelli (PMDB) e Vanderlei Iensen (PMDB). De uma forma geral, os deputados em primeiro mandato foram mais assíduos que os veteranos. Dos cinco citados acima, três (Stica, Barbosa Neto e Iensen) assumiram cadeira na Casa pela primeira vez. Tadeu Veneri (PT) e Elza Correia (PMDB), ambos no primeiro mandato, participaram de 14 sessões. Já deputados mais antigos, como Geraldo Cartário (PSL), Ademir Bier (PMDB) e Cleiton Kiélse (PFL), tiveram apenas seis presenças registradas.

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