Pedágio causa revolta em Jacarezinho
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sábado, 06 de maio de 2006
Fábio Cavazotti<br> Reportagem Local 
Jacarezinho A instalação de mais um guichê de cobrança na praça de pedágio da Econorte na BR-153, entre Jacarezinho e Ourinhos (SP), está gerando revolta entre a população que transita diariamente de uma cidade a outra para estudar ou trabalhar. A nova cancela foi instalada há 30 dias e impediu a utilização de uma rota de fuga usada por moradores locais desde a implantação do pedágio, no primeiro mandato do governo Jaime Lerner.
A decisão, além de majorar o trajeto em R$ 7,90 para cada sentido, praticamente isolou o distrito de Marques dos Reis, que possui 1.500 habitantes e fica a 15 km da sede do município, e a menos de 1 km da praça. Os habitantes do distrito receberam um cartão que isenta os motoristas no pedágio, mas os moradores reclamam que perderam toda a freguesia do comércio local e que as empresas da região suspenderam os serviços de entrega a domicílio.
''Ficou péssimo depois da mudança. A gente vendia muitos vasos para motoristas da região, mas hoje ninguém entra aqui'', reclama o empresário, Roni Fernandes, de 34 anos, proprietário de uma pequena cerâmica familiar. ''Quem vai pagar quase R$ 16,00 de pedágio para comprar vaso'', questiona. ''A freguesia, que era muito boa antes, simplesmente acabou.''
Roni Fernandes reclama também que a distância de 5 km, entre o distrito e Ourinhos, não justifica a cobrança de R$ 7,90 a terceira tarifa de pedágio mais alta do Estado. ''É um valor muito alto.''
No centro de Jacarezinho, as reclamações são semelhantes. Apesar de reconhecerem os perigos da travessia na antiga rota de fuga realizada em contramão numa pequena estrada de acesso a uma olaria os moradores revindicam a isenção para veículos da cidade ou redução do valor da tarifa. ''Acho errado furar o pedágio como era, porém mais errado é cobrar um valor tão alto de quem utiliza um trecho pequeno como esse. É uma situação injusta também para quem está indo a Curitiba porque a conservação só vai até Santo Antônio da Platina, a 60 km daqui'', considera o advogado Valter Ferreira, de 60 anos. Ele critica também a localização da praça, ao lado do distrito Marques dos Reis, o que ''acaba dividindo a cidade em duas''.
Um ex-delegado de Jacarezinho, que não quis se identificar, disse que usava o antigo desvio, mesmo sendo ''irregular''. ''Todo mundo passava por lá. Agora que fecharam o povo revoltou, são quase R$ 8 para andar menos de 20 km. Tem muito estudante e trabalhador que faz o trajeto todo o dia, e atrapalhou todo mundo. Eles tinham que ter um preço mais acessível para o pessoal da cidade''.
A prefeita de Jacarezinho, Tina Toneti (PT), apóia as reclamações da população e se reuniu com diretores da Econorte, em Londrina. ''Nós cobramos a isenção da tarifa para todos os moradores da cidade, mas a empresa não aceitou. A questão está sendo analisada pela assessoria jurídica para apontar uma solução legal e que beneficie a população'', afirmou à Folha. ''A Econorte disse que só poderia isentar os veículos que passam diariamente pelo local, mas como fazer esse monitoramento? Não posso colocar funcionários lá para ficar contando o fluxo de veículos''.
A prefeita acredita que será difícil solucionar a questão porque os contratos do governo estadual com as empresas concessionárias ''são muito bem amarrados juridicamente''.''Se não fossem as dificuldades, o (governador) Requião já teria acabado com os pedágios.'' De acordo com dados da prefeitura, Jacarezinho possui aproximadamente 10.800 veículos automotores.


