Pecuarista quer processar CEI
Valmir Denardin
De Foz do Iguaçu
Em menos de um mês de atuação da CEI do Narcotráfico, dois dos principais integrantes da comissão já estão sendo ameaçados de processos na Justiça. O pecuarista Ari Moraes de Quadros, de 54 anos, de Foz do Iguaçu, anunciou que vai mover ações criminais (por calúnia e difamação) e de indenização contra os deputados Angelo Vanhoni (PT), presidente da CEI, e Algaci Túlio (PTB), vice-presidente.
Depois de visitar Foz do Iguaçu, há uma semana, os dois deputados afirmaram, em entrevista, que havia a suspeita de que uma pista de pouso e decolagem de aeronaves localizada em uma propriedade do pecuarista poderia estar sendo usada para atividades criminosas, como tráfico de drogas, contrabando e evasão de divisas.
A principal base da suspeita é o depoimento de um doleiro de Londrina, preso há cerca de um ano, na Ponte da Amizade (Brasil-Paraguai), com US$ 500 mil. Em depoimento à Polícia Federal, o doleiro afirmou que usou essa pista para desembarcar dinheiro.
A pista fica na Fazenda Estância Hércules, uma das propriedades de Quadros, em uma área semi-urbanizada, na região norte de Foz do Iguaçu. Quadros nega as suspeitas e afirma que os deputados fizeram declarações levianas e irresponsáveis.
Em nota distribuída ontem, o fazendeiro afirma que construiu a pista por ser um entusiasta da aviação. Declara que a estrutura é homologada pelo 5º Comando Aéreo Regional e utilizada para curso de formação de pilotos. Esse curso, segundo a nota, é homologado pelo Departamento de Aviação Civil (DAC). A Folha tentou falar ontem com os advogados Ronaldo Antônio Botelho e Nelson Batista Pereira, de Curitiba, contratados pelo pecuarista, mas não obteve retorno dos telefonemas.
Vanhoni disse ontem que suas afirmações sobre as suspeitas em relação à pista foram embasadas em informações passadas por delegados da PF. Não o acusamos de participar em ilícitos. Só dissemos que seu aeroporto pode estar sendo usado para algo ilegal, afirmou.
O deputado disse também que, se as informações passadas à CEI pela PF forem falsas, quem terá que se explicar é o chefe da delegacia de Foz, Eudes Carneiro. A PF informou que não há provas de que ocorram atividades criminosas na pista mantida por Quadros. (Colaborou James Alberti)





